
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Capítulo 01 - À primeira vista
Esse era o momento do dia em que eu queria ser capaz de dormir.
Ensino Médio.
Ou era purgatório a palavra correta? Se houvesse alguma maneira de reparar meus
pecados, isso deveria contar de alguma forma na balança. O tédio não foi algo ao qual
eu me acostumei; cada dia parecia impossivelmente mais monótono que o anterior.
Eu acredito que essa era minha maneira de dormir – se dormir era definido pelo
estado inerte entre os períodos de atividade.
Eu encarei as rachaduras correndo pelo concreto no canto mais distante do
refeitório, imaginando padrões entre eles que não estavam lá. Era uma forma de
desconectar as vozes que tagarelavam como o jorro de um rio dentro de minha cabeça.
Muitas centenas dessas vozes que eu ignorava no tédio.
Quando se tratava de mentes humanas, eu já tinha ouvido de tudo e mais um
pouco. Hoje, todos os pensamentos estavam voltados para o espetáculo trivial da nova
adição ao pequeno corpo estudantil daqui. Não demorou muito ouvi -los todos. Eu tinha
visto o mesmo rosto repetido em mente após mente sob todos os ângulos. Só uma garota
humana normal. A excitação de sua chegada era cansativamente previsível – como
mostrar um objeto brilhante a uma criança. Metade do rebanho masculino já se
imaginava se apaixonando por ela, só porque ela era algo novo para se olhar. Eu tentei
veementemente calá-los.
Só quatro vozes eu bloqueava por cortesia muito mais do que por desgosto: minha
família, meus dois irmãos e duas irmãs, tão acostumados com a falta de privacidade na
minha presença que raramente se importavam. Eu dei a eles toda a privacidade que
pude. Tentei não ouvir se eu podia.
Tentei como pude, mesmo assim... eu sabia.
Rosalie estava pensando, como de costume, sobre ela mesma. Ela viu seu perfil
no reflexo do copo de alguém, e estava meditando sobre sua própria perfeição. A mente
de Rosalie era uma piscina rasa com poucas surpresas.
Emmett estava fulminando por causa de uma queda de braço que havia perdido
para Jasper durante a noite. Isso tomaria dele toda a sua limitada paciência para
agüentar até o final do dia escolar e orquestrar uma revanche. Eu nunca realmente me
senti intrometido ouvindo os pensamentos de Emmett, porq ue ele nunca pensou em algo
que ele não diria em voz alta ou não colocaria em pratica. Talvez eu só me sentisse
culpado por ouvir os pensamentos dos outros porque eu sabia que haviam coisas lá que
eles não queriam que eu soubesse. Se a mente de Rosalie era uma piscina rasa, a de
Emmett era um lago sem sombras, clara como vidro.
E Jasper estava... sofrendo. Eu suprimi um suspiro.
Edward. Alice chamou meu nome em sua cabeça, e teve minha atenção imediata.
Era como ter meu nome chamado em voz alta. Eu estava f eliz que meu nome
tinha saído de moda atualmente – tinha sido irritante; em qualquer momento, quando
qualquer um pensava em qualquer Edward minha cabeça se virava automaticamente...
Minha cabeça não virou agora. Alice e eu éramos bons nessas conversas pri vadas. Era
raro qualquer um nos pegar. Eu mantive meus olhos nas linhas do concreto.
Como ele está agüentando? ela me perguntou.
Eu contraí um pouco meus músculos, só uma pequena mudança com minha boca.
Nada que chamasse a atenção dos outros. Eu poderia fa cilmente estar me contraindo de
tédio.
O tom mental de Alice estava alarmado agora, e eu vi em sua mente que ela
estava olhando para Jasper em sua visão periférica. Existe algum perigo? Ela procurou
num futuro imediato, mergulhando por visões de monotonia para a fonte da minha
expressão.
Eu virei minha cabeça para a esquerda devagar, como se estivesse olhando para
os tijolos da parede, suspirei, e então para a direita, de volta para as rachaduras no
teto. Só Alice sabia que eu estava balançando a cabeça.
Ela relaxou. Me deixe saber se isso ficar muito ruim.
Eu só movi meus olhos, para o teto acima, e de volta para baixo.
Obrigada por estar fazendo isso.
Eu estava feliz por não poder respondê -la em voz alta. O que eu diria? “O prazer
foi meu?” Não era assim. Eu não gostava de ouvir Jasper relutante. Era mesmo
necessário fazer experiências assim? Não seria o melhor caminho admitir que ele nunca
será capaz de agüentar a cede como o resto de nós pode, e não forçar seus limites? Por
que flertar com o desastre?
Tinham se passado duas semanas desde nossa ultima viagem de caça. Esse tempo
não era uma imensa dificuldade para o resto de nós. Um pouco desconfortável
ocasionalmente – se um humano andasse muito próximo, se o vento soprasse na direção
errada. Mas humanos raramente se aproximavam. Seus instintos diziam a eles o que suas
mentes conscientes nunca entenderiam: nós éramos perigosos.
Jasper estava muito perigoso agora.
Nesse momento, uma pequena garota parou no final da mesa mais próxima da
nossa, para conversar com uma amiga. Ela jogou seu cabelo curto, cor de areia,
passando os dedos por ele. Os aquecedores sopraram seu cheiro para nossa direção. Eu
estava acostumado com a maneira com a qual o cheiro me fazia sentir – a dor seca na
minha garganta, o anseio vazio no meu estomago, a contração automática dos meus
músculos, o excesso de veneno fluindo na minha boca...
Isso era tudo bem normal, geralmente fácil de ignorar. Só foi difícil agora, com os
sentimentos fortes, dobrados, enquanto eu monitorava a reação de J asper. Sedes
gêmeas, não somente a minha.
Jasper estava deixando sua imaginação passear. Ele estava imaginando isso –
imaginando si mesmo levantando de seu assento próximo de Alice e ficando ao lado da
pequena garota. Pensando em se inclinar para baixo, co mo se fosse sussurrar em seu
ouvido, e deixando seus lábios tocarem a curva da garganta dela. Imaginando como a
sensação do fluido quente do pulso dela por baixo da fina camada de pele seria em baixo
da sua boca.
Eu chutei a cadeira dele.
Ele encontrou meu olhar por um minuto, e depois olhou para baixo. Eu podia
ouvir vergonha e rebeldia em guerra na sua mente.
“Desculpe”, Jasper murmurou.
Dei de ombros.
“Você não ia fazer nada”, Alice murmurou para ele, amenizando seu embaraço.
“Eu podia ver isso.”
Eu lutei contra a careta que denunciaria sua mentira. Nós tínhamos que
permanecer juntos, Alice e eu. Não era fácil, ouvir vozes ou ver cenas do futuro. As duas
aberrações entre aqueles que já eram aberrações. Nós protegíamos o segredo um do
outro.
“Ajuda um pouco se você pensar neles como pessoas”, Alice sugeriu, sua voz alta
e musical, rápida demais para ouvidos humanos entenderem, se algum estivesse próximo
demais para ouvir. “O nome dela é Witney, ela tem uma irmãzinha bebe que ela adora.
A mãe dela convidou Esme para essa festa no jardim, se lembra?”
“Eu sei quem ela é.” Jasper disse curtamente. Ele se virou para olhar por uma
das pequenas janelas que eram colocadas bem embaixo das vigas, ao longo da sala. Seu
tom terminou a conversa.
Ele teria que caçar hoje a noite. Era ridículo se arriscar assim, tentando testar
sua forçar, aumentar sua resistência. Jasper devia apenas aceitar suas limitações e
trabalhar com elas. Seus hábitos antigos não condiziam com nosso estilo de vida
escolhido; ele não devia se esforç ar tanto desse jeito.
Alice suspirou silenciosamente e levantou, pegando sua bandeja de comida – seu
acessório, era o que era – com ela e deixando-o sozinho. Ela sabia quando ele estava
cheio de seu encorajamento. Apesar de Rosalie e Emmett serem mais aber tos com seu
relacionamento, eram Alice e Jasper que sabiam o humor um do outro como seu próprio.
Como se eles também pudessem ler mentes – apenas um do outro.
Edward Cullen.
Reação de reflexo. Eu me virei para o som do meu nome sendo chamado, apesar
de não estar realmente sendo chamado, só pensado.
Meus olhos se encontraram por uma fração de segundo com um grande par de
olhos humanos, cor-de-chocolate postos num rosto pálido, em forma de coração. Eu
conhecia esse rosto, apesar de eu mesmo nunca tê -lo visto antes. Ele esteve em quase
todas as cabeças humanas hoje. A nova aluna, Isabella Swan. Filha d chefe de policia da
cidade, trazida para viver aqui sob uma nova situação de custódia. Bella. Ela corrigiu
todos que usaram seu nome inteiro...
Olhei para longe, entediado. Me levou um segundo para perceber que não havia
sido ela quem pensou no meu nome.
É claro que ela já está se apaixonando pelos Cullens , eu ouvi o primeiro
pensamento continuar.
Agora reconheci a “voz”. Jessica Stanley – havia um tempo desde a ultima vez
que ela me perturbou com seu bate -papo interior. Foi um alívio quando ela se curou
daquela paixonite deslocada. Era praticamente impossível escapar de suas fantasias
constantes, ridículas. Eu desejei, naquela época, que eu pudesse explicar exatamente o
que haveria acontecido se meus lábios, e os dentes atrás deles, tivessem chegado a
qualquer parte próxima dela. Isso teria silenciado aquelas fantasias irritantes. O
pensamento da reação dela quase me fez sorrir.
Grande bem isso vai fazer a ela, Jes sica continuou. Ela sequer é bonita. Eu não
sei porque Erick está olhando... ou Mike.
Ela estremeceu mentalmente no ultimo nome. Sua nova paixonite, o
genericamente popular Mike Newton, era completamente inconsciente dela.
Aparentemente, ele não era tão inconsciente sobre a nova garota. Como a criança com o
objeto brilhante de novo. Isso trouxe uma ponta maligna nos pensamentos de Jessica,
apesar de ela ser aparentemente cordial com a recém-chegada enquanto explicava para
ela o conhecimento comum sobre minh a família. A estudante nova deve ter perguntado
sobre nós.
Todo mundo também está olhando pra mim hoje, Jessica pensou
presumidamente por um lado. Foi uma sorte Bella ter tido duas aulas comigo hoje...
Aposto que Mike vai querer me perguntar o que ela –
Eu tentei bloquear o pensamento insignificante pra fora da minha cabeça antes
que a insignificância pudesse me deixar louco.
“Jessica Stanley está dando para a nova garota Swan toda a roupa suja sobre o
clã dos Cullen,” eu murmurei para Emmett como distração . Ele riu por baixo da
respiração. Eu espero que ela esteja fazendo isso direito , ele pensou.
“Muito sem criatividade, na verdade. Só a idéia superficial do escândalo. Nem um
pingo de horror. Estou um pouco desapontado.”
E a garota nova? Ela está desapont ada com a fofoca também?
Eu parei para ouvir o que essa garota nova, Bella, pensou sobre a história de
Jessica. O que ela via quando olhava para essa família estranha, com peles pálidas, que
era universalmente evitada?
Era parte da minha responsabilidade s aber sua reação. Eu agia como um
observador, pela falta de uma palavra melhor, para a minha família. Para proteger -nos.
Se qualquer um começasse a suspeitar, eu poderia dar um aviso prévio e uma solução
fácil. Isso acontecia ocasionalmente – algum humano com uma imaginação ativa veria
em nós os personagens de um livro ou filme. Geralmente eles interpretam errado, mas é
melhor mudar para um lugar novo do que arriscarmos um exame minucioso. Muito, muito
raramente, alguém adivinhava corretamente. Nós não damo s a eles a chance de
testarem suas hipóteses. Nós simplesmente desaparecemos, para nos tornarmos nada
mais que uma memória assustadora...
Eu não ouvi nada, embora eu tenha ouvido próximo aonde o frívolo monólogo
interno de Jessica continuava efusivamente. Era como se não houvesse ninguém sentado
ao lado dela. Que peculiar, será que a garota tinha ido embora? Não parecia ser isso, já
que Jessica continuava tagarelando para ela. Olhei pra cima para checar, me sentindo
desequilibrado. Checar o que minha “audiç ão” extra podia me dizer – era algo que eu
nunca tive que fazer.
De novo meu olhar se encontrou com aqueles mesmos olhos grandes e castanhos.
Ela estava sentada exatamente onde esteve antes, e olhando para nós, uma coisa
natural de se fazer, eu supus, já que Jessica continuava entretendo-a com as fofocas
locais sobre os Cullens.
Pensar em nós, também, seria natual.
Mas eu não conseguia ouvir um sussurro.
Um vermelho convidativo e quente coloriu suas bochechas quando ela olhou para
baixo, longe da gafe embaraçosa de ser pega encarando um estranho. Foi bom que
Jasper ainda estivesse olhando para fora da janela. Eu não gostava de imaginar o que
esse fácil agrupamento de sangue faria com seu controle.
As emoções estavam tão claras no seu rosto como se estivesse m saindo em
palavras de sua testa: surpresa, como se inconscientemente ela absorvesse os sinais das
diferenças entre sua raça e a minha, curiosidade, ouvindo o conto de Jessica, e algo
mais... fascinação? Não seria a primeira vez. Nós éramos lindos para el es, nossas presas.
Então, finalmente, embaraço, quando eu a peguei me encarando. Ainda assim, embora
seus pensamentos tenham sido tão claros em seus olhos estranhos – estranhos por causa
da intensidade deles; olhos castanhos normalmente parecem rasos em su a escuridão – eu
não podia ouvir nada além de silêncio do lugar em que ela estava sentada.
Absolutamente nada.
Eu senti um momento de inquietação.
Isso era algo que eu nunca tinha encontrado antes. Tinha algo errado comigo? Eu
senti exatamente como me sempre sentia. Preocupado, escutei melhor.
Todas as vozes que eu havia bloqueado de repente estavam gritando em minha cabeça.
me pergunto que tipo de música ela gosta... talvez eu possa mencionar ...
aquele novo CD... Mike Newton estava pensando, a duas mesas de distância – fixado em
Bela Swan.
Olhe para ele a encarando. Não é suficiente que ele tenha metade das garotas da
escola esperando por ele para... Eric Yorkie pensava acidamente, também relacionado a
garota.
tão nojento. Dava pra pensar que ela é famosa ou algo assim... Até Edward...
Cullen, encarando... Lauren Mallory estava tão enciumada que seu rosto, de todas as
maneiras, deveria estar escurecido como cor de jade. E Jessica, exibindo sua nova
amiga. Que piada...veneno continuou a ser expelido dos pen samentos da garota.
aposto que todo mundo perguntou isso pra ela. Mas eu gostaria de conversar...
com ela. Vou pensar em uma pergunta mais original... Ashley Dowling meditou.
.talvez ela esteja em minha aula de Espanhol... June Richardson desejou...
toneladas restam pra fazer essa noite! Trigonometria, e o teste de Inglês. Eu...
espero que minha mãe... Angela Weber, uma menina quieta, de quem os pensamentos
eram extraordinariamente doces, era a única naquela mesa que não estava obcecada
com essa tal Bella.
Eu podia ouvir todos eles, ouvir cada coisa insignificante que eles pensavam assim
que passava por suas cabeças. Mas absolutamente nada da nova estudante com olhos
enganosamente comunicativos.
E, obviamente, eu pude ouvir o que ela disse quando falou com J essica. Eu não
precisava ler mentes para poder ouvir sua voz baixa e clara do outro lado do refeitório.
Qual deles é o garoto com o cabelo castanho avermelhado? Eu a ouvi perguntar, olhando
pra mim furtivamente pelo canto dos olhos, só para rapidamente o lhar para longe
quando ela viu que eu continuava encarando.
Se eu tivesse tempo de esperar que ouvir o som de sua voz me ajudaria a
determinar o tom de seus pensamentos, perdidos em algum lugar onde eu não podia os
acessar, eu estava instantaneamente desa pontado. Normalmente, os pensamentos das
pessoas surgem com um tom similar as suas vozes físicas. Mas essa voz calma e tímida
não era familiar, não uma nas centenas de vozes tagarelando em volta do local, isso eu
tinha certeza. Era inteiramente nova.
Oh, boa sorte idiota! Jessica pensou antes de responder a pergunta da garota.
“Esse é o Edward. Ele é lindo, é claro, mas não perca seu tempo. Ele não namora.
Aparentemente nenhuma das garotas aqui é bonita o suficiente para ele.” Ela fungou.
Eu virei minha cabeça para o outro lado, para esconder meu sorriso. Jéssica e suas
amigas de sala não tinham idéia de como eram sortudas por nenhuma delas ser
particularmente apelativa pra mim.
Por baixo do humor passageiro, eu senti um impulso estranho, um que eu não
entendi claramente. Isso tinha algo a ver com o abismo vicioso dos pensamentos de
Jessica, dos quais a nova garota era inconsciente... Eu senti uma estranha urgência de
me colocar entre elas, para proteger essa Bella Swan dos trabalhos obscuros da mente
de Jessica. Que coisa estranha para se sentir. Tentando descobrir as motivações por trás
do impulso, eu examinei a garota mais uma vez.
Talvez isso era só um instinto de proteção há muito enterrado – o forte pelo
fraco. Essa garota parecia mais frágil que seus n ovos colegas de classe. Sua pele era tão
translúcida que era difícil de acreditar que isso oferecia a ela alguma defesa contra
mundo exterior. Eu podia ver o pulsar ritmado do sangue através de suas veias, por baixo
da membrana clara e pálida... Mas eu não devia me concentrar nisso. Eu era bom nessa
vida que escolhi, mas eu estava com tanta sede quanto Jasper e não havia motivo para
convidar a tentação.
Tinha uma fraca linha entre suas sobrancelhas a qual ela parecia não tomar
conhecimento.
Era inacreditavelmente frustrante! Eu podia ver claramente que era
desconfortável para ela sentar lá, conversar com estranhos, ser o centro das atenções.
Eu podia sentir sua timidez pela forma como ela segurava seus ombros aparentemente
frágeis, espremida, como se ela est ivesse esperando uma rejeição a qualquer momento.
E ainda assim, eu só podia sentir, só podia ver, só podia imaginar. Não tinha nada alem
do silêncio vindo dessa garota humana normal. Eu na pude ouvir nada. Por quê?
“Vamos?” Rosalie murmurou, interrompendo meu foco.
Eu desviei o olhar da garota com um sentimento de alivio. Eu não queria
continuar falhando nisso –isso me irritou. E eu não queria desenvolver qualquer interesse
em seus pensamentos secretos simplesmente porque eles estavam escondidos de mim.
Sem duvida, quando eu decifrasse seus pensamentos – e eu iria encontrar uma maneira
de fazê-lo – eles seriam tão insignificantes e mesquinhos como os pensamentos de
qualquer humano. Não valiam o esforço que eu teria que fazer para alcançá -los.
“Então, a novata já está com medo de nós?” Emmett perguntou, ainda esperando
pela minha resposta para a sua pergunta anterior.
Eu dei de ombros. Ele não estava interessado o suficiente para me pressionar por
mais informação. Eu também não deveria estar. Nós nos levanta mos da mesa e saímos
do refeitório.
Emmett, Rosalie e Jasper fingiam serem veteranos; eles saíram para suas aulas.
Eu fui para minha aula de Biologia do segundo ano, preparando minha mente para o
tédio. Era duvidoso que Mr. Banner, um homem sem muito mais que um intelecto
comum, tiraria alguma coisa de sua aula que impressionasse alguém com dois diplomas
em medicina.
Na sala de aula, eu sentei na minha cadeira e deixei meus livros – acessórios, de
novo; eles não tinham nada que eu já não soubesse – espalhados pela mesa. Eu era o
único estudante que tinha uma mesa só pra mim. Os humanos não eram espertos o
suficiente para saberem que eles me temiam, mas seus instintos de sobrevivência eram
o suficiente para mantê-los afastados.
A sala foi enchendo lentamente, enquanto eles voltavam do almoço. Me inclinei
novamente na minha cadeira e esperei o tempo passar. De novo desejei que eu fosse
capaz de dormir.
Porque andei pensando nela, quando Angela Weber escoltou a nova garota pela
porta, o nome dela chamou minha atenção.
Bella parece tão tímida quanto eu. Aposto que hoje é bem difícil pra ela. Eu
queria poder dizer algo... mas isso provavelmente soaria estúpido...
Isso! Mike Newton pensou, virando-se na sua cadeira para ver as meninas entrarem.
Ainda assim, do lugar onde Bella Swan parou, nada. O lugar vazio onde seus
pensamentos deveriam estar me deixou irritado e enervado.
Ela se aproximou, caminhando pelo espaço ao meu lado para chegar a mesa do
professor. Pobre garota; o assento ao meu lado era o único vago. Automaticamente, eu
limpei o que seria o lado dela da mesa, colocando meus livros em pilha. Eu duvidava que
ela se sentiria confortável ali. Seria um longo semestre para ela – naquela aula, pelo
menos. Talvez, entretanto, sentando ao lado dela eu consegui ria descobrir seus
segredos... não que eu tenha precisado de tanta proximidade antes... não que eu fosse
encontrar algo que valesse a pena ouvir...
Bella Swan andou pela brisa de ar quente que vinha do aquecedor na minha
direção.
O cheiro dela me acertou como uma bola, como um taco. Não tinha uma imagem
violenta o suficiente para resumir a força do que aconteceu comigo naquele momento.
Naquele momento, eu não estava nada perto do humano que um dia eu fui; nem
traço do pouco de humanidade que eu usava como máscara para me lembrar.
Eu era um predador. Ela era minha presa. Não existia nada mais no mundo inteiro
além desse fato.
Não tinha uma sala cheia de testemunhas – eles já eram um dano colateral na
minha mente. O mistério dos pensamentos dela foi esquecido. Seus pensamentos não
significavam nada, afinal ela não continuaria pensando neles por muito tempo.
Eu era um vampiro, e ela tinha o sangue mais doce que eu havia cheirado em
oitenta anos.
Eu nunca imaginei que um cheiro como esse poderia existir. Se eu so ubesse que
podia, eu teria procurado por isso há muito tempo. Eu teria passado um pente fino no
planeta por ela. Eu podia imaginar o gosto...
A sede queimou minha garganta como fogo. Minha boca estava ressecada e
desidratada. A onda fresca de veneno não fe z nada para dissipar essa sensação. Meu
estomago retorceu com a fome que era um eco da sede. Meus músculos se contraíram.
Nem um segundo inteiro tinha se passado. Ela ainda estava dando o mesmo passo
que a tinha colocado na brisa em minha direção.
Quando o pé dela tocou o chão, seus olhos viraram para mim, um movimento que
ela claramente queria que fosse furtivo. Seu olhar encontrou o meu, e eu me vi
refletido no vasto espelho dos olhos dela.
O choque do rosto que eu vi ali salvou sua vida por mais alguns duros momentos.
Ela não tornou isso fácil. Quando ela processou a expressão no meu rosto, sangue
enrubesceu suas bochechas de novo, tornando a pele dela a cor mais deliciosa que eu já
tinha visto. O cheiro era uma neblina grossa no meu cérebro. Eu dificil mente conseguia
pensar além disso. Meus pensamentos se enfureciam, resistindo ao controle,
incoerentes.
Ela andou mais apressadamente agora, como se entendesse a necessidade de
escapar. Sua pressa a tornou desastrada – ela tropeçou e cambaleou para frente, quase
caindo na garota sentada na minha frente. Vulnerável, fraca. Até mais que o normal
para um humano.
Eu tentei me focar no rosto que vi nos olhos dela, um rosto que eu reconheci com
repulsa. O rosto do monstro em mim – o rosto que eu combati durante décadas de
esforço e disciplina rígida. Qual fácil ele reapareceu na superfície agora!
O cheiro me rondou novamente, dispersando meus pensamentos e quase me
impelindo da cadeira.
Não.
Minha mão se apertou na beira da mesa, enquanto eu tentava me prender na
cadeira. A madeira não servia para a tarefa. Minha mão quebrou a estrutura e
escorregou, cheia de restos de lascas, deixando as marcas dos meus dedos cravados na
madeira.
Destruir as evidências. Essa era uma regra fundamental. Eu pulverizei
rapidamente as bordas com a ponta dos meus dedos, não deixando nada além de um
buraco raivoso e uma pilha de lascas no chão, que eu escondi com o pé.
Destruir evidências. Dano colateral...
Eu sabia o que tinha que acontecer agora. A garota viria sentar -se ao meu lado e
eu teria que a matar.
Os espectadores inocentes da classe, dezoito outras crianças e um homem, não
poderiam deixar essa sala, tendo visto o que eles logo veriam.
Eu estarreci no pensamento do que eu deveria fazer. Mesmo no meu pior
momento, eu nunca tinha cometido esse tipo de atrocidade. Eu nunca matei inocentes
nessas oito décadas. E agora eu planejava assassinar vinte deles de uma só vez.
O rosto do monstro no espelho riu de mim.
Mesmo que parte de mim estremecesse afastando -se do monstro, outra parte
estava planejando isso.
Se eu matasse a garota primeiro, eu teria apenas quinze ou vinte segundos com
ela antes que os humanos na sala reagissem. Talvez um pouco mais, se eles não
percebessem de primeira o que eu estava fazendo. Ela não teria tempo para grit ar ou
sentir dor; eu não a mataria cruelmente. Era o mínimo que eu podia dar a essa estranha
com o sangue horrivelmente desejável.
Mas depois eu teria que impedi -los de escapar. Eu não teria que me preocupar
com as janelas, muito altas e pequenas para serv ir de escape para alguém. Só a porta –
bloqueio isso e eles estariam presos.
Seria mais devagar e difícil tentar matá -los quando eles estariam em pânico e se
misturando, se movendo no caos. Não era impossível, mas haveria muito mais barulho.
Tempo para muitos gritos. Alguém ouvira... e eu seria forçado a matar ainda mais
inocentes nesse momento obscuro.
E o sangue dela esfriaria, enquanto eu matava os outros.
O cheiro me puniu, fechando minha garganta com a dor secante.
Então as testemunhas primeiro.
Eu mapeei isso na minha mente. Eu estava no meio da sala, a fila mais distante.
Eu pegaria meu lado direito primeiro. Eu poderia morder quatro ou cinco pescoços por
segundo, eu estimei. Eu não faria barulho. O lado direito seria o lado sortudo; eles não
me veriam chegando. Me mover para frente e para trás no lado esquerdo me levaria, no
máximo, 5 segundos para terminar com cada vida desta sala.
Tempo suficiente para Bella Swan ver, brevemente, o que estava chegando até
ela. Tempo suficiente para ela sentir medo . Tempo suficiente talvez, se o choque não
congelasse ela no mesmo lugar, para ela começar um grito. Um grito suave, que não
traria ninguém correndo.
Eu dei um suspiro profundo, e o cheiro era um fogo que corria pelas minhas veias
secas, queimando desde o meu peito até consumir cada impulso de bondade que eu era
capaz de ter.
Ela estava se virando agora. Em alguns segundos, ela se sentaria a centímetros de
mim.
O monstro na minha cabeça sorriu em antecipação.
Alguém fechou uma pasta com força a minha esquer da. Eu não olhei para cima
para ver qual dos humanos condenados era. Mas o movimento mandou uma onda de ar
comum, sem cheiro, passando pelo meu rosto.
Por um curto segundo eu era capaz de pensar claramente. Nesse precioso
segundo, eu vi dois rostos na minha cabeça, lado a lado.
Um era meu, ou ao menos fora: o monstro dos olhos vermelhos que tinha matado
tantas pessoas que eu havia parado de contar. Assassinatos racionais, justificados. Um
assassino de assassinos, um assassino de outros, menos poderosos, mon stros. Era um
complexo de deus, eu sabia disso – decidir quem merecia uma sentença de morte. Era
um compromisso comigo mesmo. Eu me alimentei de sangue humano, mas só pela
definição solta. Minhas vitimas eram, nos seus vários passatempos obscuros,
praticamente tão humanos quanto eu.
O outro rosto era de Carlisle.
Não havia semelhança entre os dois rostos. Eles eram o dia claro e a noite mais
escura.
Não havia razão para eles serem semelhantes. Carlisle não era meu pai no senso
biológico básico. Não dividíamos um traço comum. A semelhança em nossas cores era um
produto do que nós éramos; todo vampiro tinha a mesma pele pálida como gelo. A
similaridade na cor dos nossos olhos era outro ponto – reflexo de uma escolha mutua.
Ainda assim, embora não houvesse bas e para uma semelhança, eu imaginei que
meu rosto tinha começado a refletir o dele, até certo ponto, nos últimos setenta anos
estranhos que eu havia abraçado a escolha dele e seguido seus passos. Meus traços não
haviam mudado, mas parecia para mim que um p ouco da sabedoria dele havia marcado
minha expressão, que um pouco da compaixão dele podia ser traçada no contorno da
minha boca e pontas de sua paciência eram evidentes nas minhas sobrancelhas.
Todos essas pequenas melhoras tinha se perdido na face do mon stro. Em alguns
momentos, não restaria mais nada em mim que refletiria os anos que passei com meu
criador, meu mentor, meu pai em todos os meios que contavam. Meus olhos virariam
vermelhos como o de um demônio; toda a semelhança se perderia para sempre.
Na minha cabeça, os olhos gentis de Carlisle não me julgavam. Eu sabia que ele
me perdoaria por esse ato horrível que eu faria. Porque ele me amava. Porque ele
pensava que eu era melhor do que realmente era. E ele continuaria me amando, mesmo
que eu agora provasse que ele estava errado.
Bella Swan sentou na cadeira ao meu lado, seus movimentos rígidos e
desajeitados – com medo? –, e o cheiro de seu sangue se transformou numa nuvem
inexorável ao meu redor.
Eu provaria que meu pai estava errado sobre mim. A mi séria desse fato machucou
tanto quanto o fogo na minha garganta.
Eu me inclinei para longe dela com repulsa – revoltado com o monstro sofrendo
para pegá-la.
Por que ela tinha que vir aqui? Por que ela tinha que existir? Por que ela tinha
que arruinar essa pequena paz que eu tinha nessa minha não -vida? Por que essa humana
agravante tinha que ter nascido? Ela me arruinaria.
Eu virei meu rosto para longe dela, enquanto uma repentina violência, um ódio
irracional me lavou por dentro.
Quem era essa criatura? Por que eu, por que agora? Por que eu tinha que perder
tudo porque ela escolheu essa cidade improvável para aparecer?
Por que ela veio aqui!?
Eu não queria ser o monstro! Eu não queria matar essa sala cheia de crianças
indefesas! Eu não queria perder tudo q ue eu havia ganhado durante uma vida de
sacrifícios e negações!
Eu não faria! Ela não poderia me obrigar.
O cheiro era o problema, o cheiro horrivelmente apelativo do sangue dela. Se
houvesse apenas um meio de resistir... se ao menos uma outra rajada de ar fresco
pudesse limpar minha mente.
Bella Swan balançou seus cabelos longos, grossos e cor de mogno na minha
direção.
Ela era insana? Era como se ela estivesse encorajando o monstro! Tentando -o.
Não havia uma brisa amiga para mandar o cheiro para longe de mim agora. Tudo
logo estaria perdido.
Não, não havia uma brisa para ajudar. Mas eu não tinha que respirar.
Parei a corrente de ar para meus pulmões; o alívio foi instantâneo, mas
incompleto. Eu continuava tendo a memória do cheiro em minha cabeça, o gosto disso
no fundo da minha língua. Eu não poderia resistir até mesmo a isso por muito tempo.
Mas talvez eu pudesse resistir por uma hora. Uma hora. Apenas tempo suficiente para
sair dessa sala cheia de vítimas, vítimas que talvez não precisassem ser vítimas. Se eu
pudesse resistir por uma pequena hora.
Era um sentimento desconfortável, não respirar. Meu corpo não precisava de
oxigênio, mais isso ia contra meus instintos. Eu dependia de cheiro mais que meus outros
sentidos, em tempos de estresse. Isso guiava o caminho na caça, era o primeiro aviso em
caso de perigo. Eu não cruzava com freqüência com algo tão perigoso quanto eu, mas
autopreservação era tão forte em minha espécie como era na maioria dos humanos.
Desconfortável, mas administrável. Mais suportável que sentir o cheiro dela e não
cravar meus dentes por aquela sutil, fina, transparente pele até o quente, molhado,
pulsante –
Uma hora! Só uma hora. Eu não devo pensar no cheiro, no gosto.
A garota silenciosa manteve seu cabelo entre nós, se inclinando p ara a frente
fazendo-o se espalhar ao longo da mesa. Eu não podia ver seu rosto, para tentar ler as
emoções em seus claros, profundos olhos. Era por isso que ela havia deixado suas ondas
se espalharem entre nós? Para esconder esses olhos de mim? Longe de m edo? Timidez?
Para guardar seus segredos de mim?
Minha irritação precedente por ser bloqueado pelos pensamentos mudos dela era
fraca e pálida em comparação com a necessidade – e o ódio – que me possuiu agora. Por
eu odiar essa frágil menina do meu lado, od iá-la com todo o fervor com o qual eu me
agarrei ao meu eu passado, meu amor pela minha família, meus sonhos de ser algo
melhor do que eu era... Odiá-la, odiar o que ela me fez sentir – isso ajudou um pouco.
Sim, a irritação que eu senti antes foi fraca, mas ela, também, ajudou um pouco. Me
agarrei a qualquer emoção que me distraísse de imaginar como seria o gosto dela...
Ódio e irritação. Impaciência. A hora nunca passaria?
E quando a hora acabasse... Então ela andaria para fora dessa sala. E eu faria
isso?
Eu poderia me apresentar. Olá, meu nome é Edward Cullen. Poderia te
acompanhar até sua próxima aula?
Ela diria sim. Seria a coisa educada a se fazer. Mesmo já me temendo, como eu
suspeitava que ela estivesse, ela me seguiria convencionalmente e andaria a o meu lado.
Deveria ser fácil guiá-la para a direção errada. Um pedaço da floresta se esgueirava
como um dedo para tocar a esquina de trás do estacionamento. Eu poderia dizer a ela
que havia esquecido um livro no meu carro...
Alguém notaria que eu seria a última pessoa com quem ela tinha sido vista?
Estava chovendo, como de costume; duas capas de chuva escuras indo para a direção
errada não trariam muito interesse ou me denunciariam.
Exceto por não ser o único aluno que estava consciente dela – embora ninguém
estivesse mais consciente do que eu estava. Mike Newton, em particular, estava bem
consciente de cada mudança no seu peso enquanto ela mexia no seu cabelo – ela estava
desconfortável tão próxima de mim, exatamente como qualquer pessoa estaria, como eu
esperava pouco antes do seu cheiro destruir toda a simpática preocupação. Mike Newton
notaria se eu saísse da sala de aula com ela.
Se eu conseguisse resistir uma hora, resistiria duas?
Encolhi-me em face da dor da queimação.
Ela deveria ir para uma casa vazia.
O chefe de polícia Swan trabalha o daí todo. Eu conhecia a casa dele, assim como
conhecia toda casa, nessa pequena cidade. Sua casa estava no alto em meio a densa
floresta, sem nenhum vizinho próximo. Mesmo se ela tivesse tempo de gritar, o que não
teria, não existiria ninguém para ouvir.
Este seria o modo responsável de lidar com isso. Eu tinha passado sete décadas
sem sangue humano. Se segurasse minha respiração, eu poderia resistir duas horas. E
quando a tivesse sozinho, não existiria chance alguma de ninguém se ferir. E nenhuma
necessidade de apressar a experiência, o monstro em minha cabeça concordou.
Era um argumento que parecia certo, mas estava errado, pensar que salvando
dezenove humanos nessa sala, com trabalho e paciência, eu seria menos m onstro quando
eu matasse a inocente garota.
Embora eu a odiasse, eu sabia que meu ódio era injusto. Eu sabia que o que eu
realmente odiava era a mim mesmo. E eu odiaria muito mais nós dois quando ela
estivesse morta.
Passei a hora dessa maneira. - imaginando as melhores formas de matá-la. Tentei
evitar imaginar o ato em si. Poderia ser muito para mim; poderia perder essa batalha e
acabar matando todos à vista. Então planejei uma estratégia e nada mais. Isso me levou
por uma hora.
Uma vez, próximo ao final, ela deu uma espiada através lisa parede do seu
cabelo. Eu podia sentir o ódio injustificado me queimando quando encontrei o olhar dela
– vi o reflexo disso em seus olhos assustados. Ela corou antes de poder se esconder em
seu cabelo novamente, estava quase arruinado.
Mas o sino tocou. Salvo pelo sino – quão clichê. Estávamos os dois salvos. Ela salva
da morte. Eu salvo por um curto tempo de ser essa criatura medonha que eu temia e
odiava.
Não pude andar devagar como eu deveria quando sai da sala. Se qualq uer pessoa
estivesse olhando para mim, teriam suspeitado que havia algo de errado com o jeito que
me movi. Ninguém estava prestando atenção em mim. Todos os pensamentos humanos
estavam voltados para a garota que estava condenada a morte em pouco mais de u ma
hora.
Escondi meu carro.
Eu não gostava de pensar em ter que esconder. Quão covarde isso soou. Mas isso
não era inquestionável o caso agora.
Eu não tinha mais disciplina para ficar próximo aos humanos agora. Muito focado
nos meus esforços em não matar um deles. Não me deixou opções para resistir aos
outros. Que desperdício seria. Se deixasse o monstro vencer eu deveria fazer valer a
derrota.
Botei para tocar um CD de música que costumava me acalmar, mas isso me
ajudou pouco. O que ajudou mais foi o frio, úmido e limpo ar que entrava com a fina
chuva pelas janelas abertas. Embora eu pudesse lembrar a essência do sangue da Bella
Swan com perfeita clareza, inalar o ar limpo era como lavar o interior do meu corpo
para se livrar dessa infecção.
Eu estava são novamente. Conseguia pensar novamente. E conseguiria lutar
novamente. Conseguiria lutar contar aquilo que eu não queria ser.
Eu não teria que ir à casa dela, não teria que matá -la. Obviamente, eu era
racional, era uma criatura pensante, eu tinha escolha. S empre existiria uma chance.
Não tinha sentido isso na sala de aula... Mas eu estava longe dela agora. Talvez
se eu a evitasse muito, muito cuidadosamente, não exista razão para eu mudar minha
vida. As coisas estavam na ordem que eu queria agora. Por que e u deixaria alguém
piorar uma deliciosa ninguém arruinar isso?
Eu não tinha que desapontar meu pai. Eu não tinha que causar a minha mãe,
stress, preocupação...Dor. Sim, eu magoaria minha mãe adotiva, também. E Esme era
tão gentil, tão carinhosa e doce. Caus ar dor a alguém como Esme era extremamente
inescusável.
Quão irônico que eu queria proteger essa garota humana da miserável,
insignificante ameaça dos pensamentos nojentos de Jéssica Stanley. Eu era a ultima
pessoa que deveria se nomear protetor da Isabel la Swan. Ela nunca precisaria mais
proteção do que ela precisaria se proteger de mim.
Onde estava Alice, de repente me perguntei. Ela não me viu matando a garota
Swan de várias formas? Por que ela não apareceu para ajudar – para impedir ou me
ajudar a eliminar quaisquer evidências? Esta ela muito preocupada com Jasper que ela
perdeu essa possibilidade muito mais horrível? Seria mais forte do que eu pensava?
Realmente eu não faria nada com aquela garota?
Não, eu sabia que não era verdade. Alice devia estar muito concentrada em
Jasper.
Procurei na direção onde sabia que ela deveria estar, no pequeno prédio usado
para as aulas de Inglês. Não levou muito tempo para localizar a sal familiar ‘voz’. E eu
estava certo. Todos os pensamentos dela estavam voltados p ara Jasper, olhando suas
escolhas com a precisão a cada minuto.
Eu desejava pedir seu conselho, mas ao mesmo tempo, eu estava contente que
ela não soubesse do que eu era capaz. Que ela estava desavisada do massacre que eu
considerei na ultima hora.
Senti um novo fogo em meu corpo – o fogo da vergonha. Eu não queria que
nenhum deles soubesse.
Se eu pudesse evitar Bella Swan, se eu pudesse evitar matá -la – mesmo enquanto
pensava isso o monstro estremecia de frustração – então ninguém precisaria saber. Se eu
pudesse ma manter longe do seu cheiro...
Não existia nenhuma razão para não tentar. Fazer uma boa escolha. Tentar ser o
que Carlisle pensava que eu era.
A última hora de aula estava quase acabando. Eu decidi pro meu novo plano em
ação. Melhor do que ficar sentado aqui no estacionamento onde ela poderia passar e
arruinar minha tentativa. Novamente senti o ódio injustificado pela garota. Eu odiava
que ela e esse inconsciente poder sobre mim. Como se ela pudesse me obrigar a fazer
algo ofensivo.
Andei rapidamente - talvez muito rápido, mas não haviam testemunhas – através
do pequeno campus até secretaria. Não havia nenhuma razão para Bella Swan cruzar o
meu caminho aqui. Ela devia ser evitada como a praga que era.
A secretaria estava vazia a não ser pela se cretária, quem eu queria ver.
Ela não percebeu a minha silenciosa entrada.
“Senhora Cope?”
A mulher com o cabelo vermelho artificial olhou para cima e seus olhos se
abriram. Sempre os pegavam de surpresa as pequenas marcas que eles não conseguiam
entender, não importa quantas vezes tenham nos visto antes.
“Oh”, ela falou, um pouco atrapalhada. Ela alisou sua saia. Boba, ela pensou para
ela mesma. Ele é quase novo o suficiente para ser meu filho. Muito novo para se pensar
dessa maneira... “Olá Edward. O que posso fazer pro você?” Os seus cílios se moveram
rapidamente sob os seus grossos óculos.
Desconfortável. Mas eu sabia ser charmoso quando eu queria. Era fácil, desde que
eu tinha a habilidade de saber qual tom ou gesto devia usar.
Inclinei-me para frente, encontrando seu olhar como se estivesse olhando
profundamente para os seus pequenos olhos castanhos. Os seus pensamentos se moviam
rapidamente. Isso devia ser fácil.
“Estava pensando se poderia me ajudar com os meus horários”, disse com uma
voz suave que reservei para não assustar humanos.
Ouvi as batidas do seu coração acelerarem.
“Claro Edward. Como posso lhe ajudar?” Muito novo, muito novo, ela repetia
para si mesma. Errada, claro. Eu era mais velho que seu avô. Mas de acordo com minha
carteira de motorista, ela estava certa.
“Estava imaginando se poderia mudar da minha sala de Biologia para um nível
mais avançado? Física talvez?”
“Algum problema com o senhor Banner, Edward?”
“De forma alguma, é somente porque eu já estudei essa matéria...”
“Na escola avançado que você foi no Alaska, certo.” Seus finos lábios se curvaram
enquanto ela considerava isso. Eles todos deviam estar na faculdade. Eu ouvi os
professores reclamarem. Perfeitos, nunca uma hesitação nas respostas, nunca uma
resposta errada numa prova – como se eles tivessem uma maneira de trapacear em cada
assunto. O senhor Varner preferia acreditar que o aluno estava trapaceando a aceitar
que alguns deles é mais inteligente que ele... aposto que a mãe dele os ensina... “Na
verdade, Edward, física esta bem cheia agora, o senhor Banner odeia ter mais que vinte
e cinco alunos na sala –“
“Eu não seria nenhum problema.”
Claro que não. Não um perfeito Cullen . “Eu sei disso Edward. Mas não tem
lugares suficientes...”
“Posso abandonar a matéria então? Poderi a usar o tempo para estudos
independentes”.
“Largar biologia?” Ela ficou de boca aberta. Isso é loucura. Quão difícil deve ser
ter que falar algo que você já sabe.? Deve existir um problema com o senhor Banner.
Fico imaginando se deveria falar com Bob sobr e isso? “Você não terá créditos suficientes
para se formar”
“Eu recupero ano que vem.”
“Talvez você deva falar com seus pais a respeito disso.”
A porta se abriu atrás de mim, mas quem fez isso não pensou em mim, então
ignorei a chegada e me concentrei na s enhora COPE. Inclinei-me mais um pouco, e
segurei meus olhos um pouco mais abertos. Isso deveria funcionar melhor se eles
estivessem dourados no lugar de pretos. Escuridão assusta as pessoas, como devia.
“Por favor, senhora Cope?” Falei com uma voz mais ma cia e convincente que
poderia – e era consideravelmente convincente. “Não existe outra com qual pudesse
trocar? Tenho certeza de que deve ter uma vaga em algum lugar? Sexta hora de biologia
não deve ser a única opção...”
Sorri para ela cuidadosamente para não mostrar meus dentes tão abertamente de
forma que iria assustá-la, deixando uma expressão leve em meu rosto.
Seu coração bateu ainda mais forte. Muito novo, ela relembrava. “Bem, talvez eu
possa falar com Bob, digo senhor Banner. Poderia ver se –“
Levou um segundo para mudar tudo: a atmosfera na sala, minha missão aqui, a
razão de eu me inclinar em direção a mulher ruiva...o que tinha sido por um porposito
antes era agora por outro.
Levou um secundo para Samantha Wells abrir a porta e colocar um aviso na cesta
próximo a porta, e sair novamente, com pressa em sair da escola. Foi um secundo que
levou para um repentino vento entrar pela porta aberta e me atingir. Um secundo foi o
suficiente para que percebesse para saber porque a primeira pessoa que entrou n a sala
não me interrompeu com os seus pensamentos.
Vierei-me embora não precisasse confirmar. Me virei lentamente, brigando para
controlar os músculos que se rebelavam contra mim.
Bella Swan permaneceu com suas costas pressionadas na parede ao lado da port a,
um pedaço de papel amassado em suas mãos. Seus olhos estavam ainda mais abertos do
que o normal quando ela olhou para o meu não humano e feroz olhar.
O cheiro do seu sangue saturava cada partícula do ar na pequena e quente sala.
Minha garganta queimava em chamas.
O monstro novamente me encarou através do espelho dos meus olhos, uma
mascara do perverso.
Minha mão hesitou no ar sobre o balcão. Eu não teria que olhar para trás para
atravessar e bater a cabeça da senhora Cope na mesa com força suficiente par a matá-la
duas vidas era melhor do que vinte. Uma troca.
O monstro esperou ansiosamente, sedento, para que eu fizesse.
Mas sempre existia uma escolha – devia ter.
Cortei o movimento dos meus pulmões, e fixei a face de Carlisle em meus olhos.
Virei-me para encarar a senhora Cope, e ouvir sua surpresa interna com a mudança da
minha expressão. Ela se encolheu, mas o seu medo não formou palavras coerentes.
Usando todo o controle que eu possuía com séculos de auto -negação, tornei
minha voz macia e uniforme. Exis tia ar o suficiente em meus pulmões para falar mais
uma vez, correndo com as palavras.
“Deixa para lá. Vejo que é impossível. Muito obrigada pela sua ajuda.”
Virei-me e sai da sala, tentando não sentir o calor do sangue quente do corpo da
garota por qual passei com centímetro de distância.
Não parei ate estar no meu carro, me movendo rápido durante todo o caminho.
Muitos dos humanos já tinha ido embora, então não tinha muitas testemunhas.
De onde veio o Cullen – foi como se ele tivesse aparecido no ar – Aqui estou eu
imaginando de novo. Mamãe sempre diz...
Quando entrei dentro do Volvo, os outros já estavam lá. Tentei controlar minha
respiração, mas estava ofegando como se estivesse sufocado.
“Edward?” Alice perguntou, alarme em sua voz.
Apenas balancei a minha cabeça.
“O que diabo aconteceu com você?” Emmett perguntou, distraído, no momento,
do fato que Jasper não estava com humor para uma repetição.
Ao invés de dar uma resposta, eu dei ré. Eu tinha que sair daqui antes que Bella
Swan pudesse me seguir aqui também. Meu próprio demônio pessoal, me perseguindo...
Virei o carro e acelerei. Atingi oitenta antes de alcançar a estrada. Na estrada atingi
cento e quarenta antes de virar a esquina.
Sem olhar, eu sabia que Emmett, Rosalie e Jasper se viraram e encara vam Alice.
Ela tremeu. Ela não podia ver o que tinha passado, apenas o que aconteceria.
Ela olhou para o meu futuro. Ambos processamos o que ela viu na sua mente e
ambos ficamos surpresos.
“Você está indo embora?”
Os outros olharam para mim.
“Estou?”, perguntei entre dentes.
Ela viu isso e então fiz outra escolha que levou o meu futuro para uma direção
mais escura.
“Oh.”
Bella Swan morta. Meus olhos brilhando com sangue fresco. A perseguição que se
seguiria. O tempo que esperaríamos antes de irmos embora e começarmos novamente...
“Oh.” Disse ela novamente ficou mais especifica. Eu olhei dentro da casa do
chefe Swan pela primeira vez e vi Bella numa pequena cozinha com os armários
amarelos, suas costas para mim como se a tivesse seguido pelas sombras...o chei ro me
empurrando na direção dela....
“Pare!”. Gritei sem condições de agüentar mais.
“Desculpe”, ela murmurou, seus olhos bem abertos.
O monstro adorou.
E a visão em sua mente mudou novamente. Uma estrada vazia à noite, árvores ao
redor cobertas de neve, passando num flash a mais de duzentos quilômetros pro hora.
“Sentirei sua falta” Ela disse. “Não importa por quanto tempo você esteja fora”.
Emmett e Rosalie trocaram olhares apreensivos.
Estávamos quase na curva na longa estrada que levava para a nossa ca sa.
“Deixa a gente aqui”, Alice instruiu. “Você deve contar a Carlisle você mesmo.”
Eu concordei, e o caro balançou com a parada brusca.
Emmett, Rosalie e Jasper saíram em silencio; eles fariam Alice explicar tudo
depois, quando eu tivesse ido. Alice tocou meu ombro.
“Você vai fazer a coisa certa”, ela mumurou. Não era uma visão desta vez – uma
ordem. “Ela é a única família do chefe Swan. Isso o mataria também.”
“Sim”, eu disse, concordando apenas com a última parte.
Ela saiu para se juntar aos outros, suas sobrancelhas se juntando em ansiedade.
Eles entraram na floresta, fora de vista antes que eu virasse o carro.
Acelerei em direção a cidade, e soube que as visões de Alice mudariam de
escuras para claras. Enquanto corria de volta para Forks a noventa, eu n ão tinha certeza
para onde ia. Para dizer adeus ao meu pai? Ou para me unir ao monstro dentro de mim?
A estrada voava sob os meus pneus.
Capítulo 02 - Livro aberto
Eu me deitei sobre o monte de neve, deixando que se amold asse ao peso do meu
corpo. Minha pele esfriou para se igualar com o ar frio ao meu redor, e sentindo os
pequenos pedaços de gelo como veludo sob a minha pele
O céu acima de mim estava limpo e brilhante com as estrelas, com um brilho em
alguns lugares, e amarelo em outros. As estrelas criaram formas majestosas um turbilhão
de formatos em contraste com o universo escuro. Uma beleza refinada. Ou melhor, deve
ser muito bonito. Ou deve ter sido, se eu realmente pudesse ver.
Eu não estava ficando melhor. Seis dias se passaram seis dias que eu venho me
escondendo aqui na região dos Denali, mas não estou mais perto da liberdade de quando
eu senti pela primeira vez o aroma dela.
Enquanto eu encarava o céu estralado, era como se houvess e uma obstrução entre
meus olhos e a sua beleza. A obstrução era um rosto, um rosto humano comum, mas eu
não conseguia tirá-lo da minha cabeça.
Eu ouvi pensamentos se aproximando antes mesmo de ouvir os passos que os
acompanhava. O som do movimento era um fraco suspiro entre a neve.
Não fiquei surpreso ao ver que Tanya havia me seguido até aqui. Ele vem
refletindo sobre essa conversa há dias, esperando apenas o momento que ela tinha
certeza do que ela tinha para dizer. Ela soltou um sus piro a uns sessenta metros de
distância. Pulando na parte de cima de uma pedra escura, e balançando descalça nas
pontas dos pés.
A pele de Tanya ficava prateada sob a luz das estrelas, e os seus longos loiros
cachos brilhavam pálidos quase rosas com uma tonalidade morango. Seus olhos cor de
âmbar cintilaram enquanto ela me espionava, meio enterrado na neve, e seus fartos
lábios se esticaram lentamente formando um sorriso.
Linda. Se eu realmente pudesse vê-la. Suspirei.
Ela se agachou no topo da pedra e encontrou as pontas do s seus dedos na pedra,
seu corpo enrolado.
Cannonball, ele pensou.
Ela se lançou no ar, o seu corpo formou uma sombra escura e distorcida enquanto
ela graciosamente de virou e ficou entre mim e as estrelas. Ela se enrolou enquanto
acertava a pilha de neve que estava do meu lado.
Uma chuva de neve caiu ao meu redor. As estrelas desapareceram e fiquei
enterrado debaixo de várias formas de cristais de gelo.
Suspirei novamente, mas não me movi para me acalmar. A escuridão debaixo da
neve não machucou nem melhorou a vista. Ainda via o mesmo rosto.
“Edward?”
Então a neve estava voando novamente enquanto Tanya me desenterrava. Ela
retirou a neve do meu rosto inanimado sem olhar direito para mim.
“Desculpe”, ela murmurou. “Era só uma brincadeira”.
“Eu sei. Foi divertido.”
A sua boca se retorceu.
“Irina e Kate disseram que eu deveria deixar você sozinho. Elas acham que eu
estou lhe aborrecendo”.
“De maneira alguma”, garanti a ela. “Ao contrário eu que estou sendo rude,
abominavelmente rude. Eu sinto muito”.
Você está indo para casa, não é? Ela pensou.
“Ainda não me decidi completamente”
Mas você não vai ficar aqui . Seus pensamentos eram tristes e nostá lgicos.
“Isso não está me... ajudando”
Ela faz uma careta. “É minha culpa, não é?”
“Claro que não”, menti delicadamente.
Não seja um cavalheiro.
Eu ri.
Eu faço você se sentir desconfortável , ela apontou.
“Não”.
Ela levantou uma sobrancelha, sua expressão tão incrédula que eu tive que rir.
Um riso pequeno seguido de um suspiro.
“Tudo bem”, eu admiti. “Um pouco” .
Ela suspirou também, colocando seu queixo em suas mãos. Seus pensamentos
eram de vergonha.
“Você é mil vezes mais adorável que as estrelas Tanya. Claro que você sabe
disso. Não deixe minha teimosia acabar com a sua auto -estima”. Eu ri comigo mesma da
situação.
“Não estou acostumada a rejeição”, disse com raiva. Seus lábios formando uma
cara zangada muito atrativa.
“Certamente não”, concordei, tent ando com pouco sucesso afastar os
pensamentos dela da minha mente, enquanto ela relembrava as suas milhares de
conquistas bem sucedidas. Na maioria Tanya preferia homens – eles eram mais
populosos, com o acréscimo de serem macios e quentes. E definitivamen te, sempre
ávidos.
“Succubus”, eu brinquei, esperando interromper as imagens que passavam na
mente dela.
Ela riu, mostrando seus dentes. “A original”.
Diferente de Carlisle, Tanya e suas irmãs foram descobrindo e trabalhando sua
consciência aos poucos. No final foi o carinho pelos homens humanos que fizeram as
irmãs se voltarem contra o massacre. Agora os homens que elas amam...vivem.
“Quando você apareceu aqui”, disse Tanya devagar, “eu pensei que...”
Eu sei o que ela pensou. E eu devia imaginar que ela se sentiria dessa forma. Mas
eu não estava na minha forma de pensar analiticamente naquele momento.
“Você pensou que eu mudei de idéia.”
“Sim”, disse de cara feia.
“Eu me sinto muito mal por brincar com suas expectativ as. Não era o que eu
queria – não estava apensando. Eu saí com muita pressa.”
“Suponho que você não vai me dizer o motivo...”
Sentei-me e enrolei meus braços ao redor das minhas pernas, numa posição
defensiva. “Eu não quero falar nisso” .
Tanya, Irina e Kate eram boas nessa vida a qual elas se comprometeram.
Melhores, às vezes, ate que Carlisle. Apesar da proximidade que elas permitem daqueles
que deveriam ser - e que uma vez foram – suas presas, elas não cometiam erros. Estava
muito envergonhado para admitir a minha fraqueza para Tanya.
“Problemas com mulheres?” Ela tentou adivinhar, ignorando a minha relutância.
Sorri de forma vazia. “Não do jeito que você imagina”.
Ela ficou quieta. Escutei seus pensamentos enquanto ela tentava adivinhar,
tentando decifrar o significado das minhas palavras.
“Você nem está perto”, eu disse a ela.
“Uma dica?”, ela pediu.
“Por favor, deixa para lá, Tanya”.
Ela ficou quieta novamente especulando. Eu a ignorei, tentando, sem sucesso,
apreciar as estrelas.
Ela desistiu por um minuto e seus pensamentos foram em outra direção.
Para onde você vai Edward, se você for embora? De volta para Carlisle?
“Acho que não”, murmurei.
Para onde eu iria? Não consegui pensar em nenhum lugar que eu tivesse interesse
em ir. Não tinha nada que eu quisesse ver ou fazer. Porque não importava para onde eu
fosse, eu não estaria indo para algum ligar – estaria apenas fugindo.
Eu odiei isso. Quando eu fiquei tão covarde?
Tanya colocou seu esbelto braço ao redor dos meus ombros, me endureci, mas
não me encolhi com o seu toque. Ela demonstrou que não era nada mais que conforto
entre amigos. A maior parte.
“Eu acho que você vai voltar”, ela disse, sua voz com um pouco do que resta do
seu sotaque russo.
“Não imposta quem é ou o que é que esta lhe assombrando. Você vai encarar de
cabeça erguida. Você é desse tipo”.
Seus pensamentos eram tão certos quanto as suas palavras. Eu tentei seguir a
imagem que ela tinha de mim na cabeça. Foi prazeroso poder pensar em mim daquela
maneira novamente. Eu nunca duvidei da minha coragem, da minha habilidade em
enfrentar problemas, antes daquela terrível hora na aula de biologia a pouco tempo
atrás.
Eu beijei o seu rosto, empur rando levemente quando ela virou seu rosto em
minha direção e seus lábios estavam curvados.
Ela riu secamente com minha rapidez.
“Obrigado Tanya, eu precisava ouvir isso”.
Seus pensamentos ficaram atrevidos. “De nada, eu acho. Eu adoraria que você
pudesse ser razoável com as coisas, Edward.”
“Sinto muito, Tanya. Você sabe que você é boa demais para mim. Eu apenas...
ainda não encontrei o que eu estou procurando.”
“Enfim, se você for embora antes de lhe ver novamente...adeus Edward.”
“Adeus Tanya”. Enquanto eu dizia as palavras eu pude ver. Eu pude me ver indo
embora. Sendo forte o suficiente para estar onde eu quero. “Obrigado novamente.”
Ela estava em pé novamente com um movimento ágil, e então ela estava correndo,
movendo-se to rápido na neve que seus pés não tinham tempo de tocar a neve. Ela não
deixou marcas. Ela não olhou para trás. Minha rejeição a incomodou mais desta vez,
inclusive nos seus pensamentos. Ela não queria me ver novamente antes de eu partir.
Minha boca se contorceu de desgosto, eu não gos tava de ferir os sentimentos de
Tanya, embora eles não fossem profundos, puros e de qualquer forma algo que eu
desejasse retribuir. Isso ainda me fez sentir menos cavalheiro.
Pus meu queixo em meus joelhos e encarei as estrelas novamente, embora
estivesse ansioso de voltar. Eu sabia que Alice me veria voltando para casa, e avisaria
aos outros. Isso os faria felizes – especialmente Carlisle e Esme. Mas eu olhei mais uma
vez para estrelas, tentando ver o rosto em minha mente. Entre mim e o luminoso céu
estava aquele par de olhos marrons assustados que em encaravam, parecendo que
perguntar o que esta decisão significava para ela. Claro que eu não poderia ter certeza
se essa era a informação que seus olhos viam. Até na minha imaginação eu não podia
ouvir os seus pensamentos. Os olhos da Bella Swa n continuavam a perguntar e a vista das
estrelas continuava a me evitar. Com um suspiro profundo eu desisti e me levantei. Se
eu corresse estaria no carro de Carlisle em uma hora.
Com pressa em ver minha família – e desejando muito ser o Edward que vai
encarar tudo de cabeça erguida – corri através da terra coberta por neve, sem deixar
pegadas.
“Vai dar tudo certo”, disse Alice. Seus olhos estavam sem foco, enquanto Jasper
tinha uma mão colocada levemente sob o seu cotovelo, guiando-a enquanto entravamos
no refeitório num grupo fechado. Rosalie e Emmett iam à frente, Emmett parecendo
com um ridículo guarda-costas em meio a um território hostil. Rose olhava desconfiada,
mas na realidade estava mais irritada do q ue protetora.
“Claro que sim”, disse. O comportamento deles era ridículo. Se não estivesse
certo que daria conta da situação, eu teria ficado em casa.
A mudança repentina para a nossa normal e divertida manhã – nevou a noite, e
Emmett e Jasper estavam aproveitando a minha distração para me bombardear com
bolas de neve; quando eles ficaram cansados com a minha falta de reação, eles se
viraram um para o outro – essa vigilância excessiva seria cômica se não fosse tão
irritante.
“Ela não está aqui ainda, mas o caminho que ela entrar...não vai ser contra o
vento se sentarmos no lugar de sempre.”
“Claro que vamos nos sentar no lugar de sempre. Pare, Alice. Você esta me
dando nos nervos. Estarei completamente bem”.
Ela piscou uma vez enquanto Jasper a ajudava a sentar e seus olhados finalmente
se focaram em meu rosto.
“Humm”, ela disse, parecendo surpresa. “Eu acho que você está bem”.
“Claro que estou bem”, eu falei.
Eu odiei ser motivo de preocupação. Eu senti uma súbita simpatia pelo Jasper,
lembrando todas as vezes que tomamos uma posição protetora com relação a ele. Ele
encontrou o meu olhar e riu.
Irritante né?
Olhei irritado para ele.
Havia passado apenas uma semana, quando esse ambiente parecia ser
mortalmente chato para mim? Que parecia mais como se estivesse dormente por estar
aqui?
Hoje meus nervos estavam estressados – como cordas de piano, prontos para
tocar sob a menor pressão. Meus sentidos estavam super alertas; prestei atenção a cada
som, cada visão, todo movimento do ar que chega va a minha pele, cada pensamento.
Especialmente os pensamentos. Existia apenas um sentido que eu me recusava a usar.
Cheirar, claro. Eu não respirava.
Eu esperava ouvis mais sobre os Cullens nos pensamentos que eu lia. O dia todo
fiquei esperando, procurando pro qualquer novo encontro que Bella Swan possa ter tido,
tentando ver a direção que as fofocas iriam tomar. Mas não tinha nada. Ninguém
reparava nos cinco vampiros no refeitório, os mesmo que estavam ali antes da nova
garota chegar. Muitos dos humanos ainda estavam tendo os mesmo pensamentos da
semana passada. Ao invés de achar isso terrivelmente chato, eu estava fascinado.
Ela não disse nada para ninguém sobre mim?
Não existe possibilidade dela não ter notado o meu olhar assassino e escuro. Eu vi
ela reagir a ele. Certamente eu assustei a boba. Eu tinha certeza que ela teria
comentado isso com alguém, talvez até exagerado um pouco a história para torná -la
melhor. Dando algumas linhas de ameaças.
E então ela me vê tentando sair da sala dela de biologia. Ela deve ter imaginado,
depois de ver a minha expressão, que ela era a causa. Uma garota normal teria saído
perguntando, comparando sua experiência com a dos outros, buscando coisas em comum
que explicassem o meu comportamento, para que ela não se sentiss e isolada. Humanos
estavam constantemente tentando serem normais, de se encaixar. De se misturarem uns
com os outros como um grupo de ovelhas. Essa necessidade era particularmente forte na
adolescência. Esta garota não devia ser uma exceção a essa regra.
Mas ninguém tomou conhecimento de nós sentados ali, em nossa mesa. Bella
deveria ser excepcionalmente tímida, se ela confidenciou a ninguém... talvez ela tenha
falado com o seu pai, talvez esse seja o seu relacionamento mais forte...embora não
seja provável já que ela passou pouco tempo com ele em sua vida. Então ela deve ser
próxima de sua mãe. Ainda, teria que passar pelo chefe Swan em um momento próximo
e escutar o que ele estiver pensando.
“Algo novo?”, perguntou Jasper.
“Nada. Ela não deve ter dito nada.”
Todos levantaram suas sobrancelhas com essa novidade.
“Talvez você não seja tão assustador como você pensa que é”, disse Emmett
rindo. “Eu aposto que poderia assustá -la melhor do que você.”
Virei meus olhos para ele.
“Me pergunto por que?”. Ele se pergu ntou novamente sobre as revelações sobre o
silencio daquela garota.
“Eu não sei.”
“Ela está chegando”, Alice murmurou. Senti meu corpo ficando rígido. “Tente
parecer humano”.
“Você disse humano?”, Emmett perguntou.
Ele levantou seu pulso direito, movendo s eus dedos para mostrar uma bola de
neve que ele mantinha guardada em sua palma. Claro que não derreteu. Ele transformou
em um bloco de gelo. Ele tinha os olhos em Jasper, mas eu vi o que ele queria fazer. O
mesmo fez Alice, claro. Quando ele arremessou o p edaço de gelo nela, ela afastou um
com gesto com os dedos. O gelo ricocheteou através de todo cumprimento do refeitório,
muito rápido para a visão humana, e se espatifou contra o muro de pedra. O muro
quebrou também.
As cabeças naquele canto de viraram pa ra olhar para a pilha de gelo quebrado no
chão, e tentaram descobrir o culpado. Eles não olharam muito adiante, apenas há
algumas mesas de distancia. Ninguém olhou para nós.
“Muito humano Emmett”, Rosalie disse “por que você não esmurrou a parede
enquanto isso?”
“Pareceria mais impossível se você fizesse baby.”
Tentei prestar atenção nele, mantendo um sorriso em meu rosto como se fizesse
parte da brincadeira. Não permiti que eu olhasse para a linha onde eu sabia que ela
estava. Mas era tudo que eu estava ou vindo.
Eu podia ouvi a impaciência de Jéssica com a novata, que parecia estar distraída
também, estática enquanto a fila andava. Eu vi, nos pensamentos de Jéssica, que as
bochechas de Bella Swan estavam mais uma vez pintadas de rosa brilhante com sangu e.
Eu inspirei brevemente, com minha respiração entrecortada, pronta para parar de
respirar caso algum sinal do cheiro dela tocasse o ar próximo a mim.
Mike Newton estava com os dois garotos. Eu ouvi suas ambas as vozes, mental e
verbal, quando ele perguntou para Jéssica o que estava errado com a garota Swan. Eu
não gostei da forma que seus pensamentos se enrolavam ao redor dela, a luz de
fantasias já estabelecidas que nublavam sua mente enquanto ele a observava começar e
sair de seu devaneio como se ela es tivesse esquecido que ele estava ali.
“Nada”, eu ouvi Bella dizer naquela voz quieta e clara. Parecia soar como um
sino acima da tagarelice da cafeteria, mas eu sabia que era só porque eu estava
ouvindo-a muito intensamente.
“Eu só vou pegar um refrigerante hoje”, ela continuou enquanto se movia para
alcançar a fila.
Eu não pude evitar lançar um olhar em sua direção. Ela estava encarando o chão,
o sangue suavemente escapando de seu rosto. Eu desviei o olhar rapidamente, para
Emmett, que riu ao ver meu sorri so dolorido que agora estava em meu rosto.
Você parece doente, mano.
Eu reorganizei minhas feições para que minha expressão parecesse casual e sem
esforço.
Jéssica estava perguntando em voz alta sobre a falta de fome da garota. “Você
não está com fome?”
“Na verdade, eu estou um pouco enjoada.” A voz dela estava mais baixa, mas
ainda muito clara.
Por que isso me incomodava, a preocupação protetora que de repente emanou
dos pensamentos de Mike Newton? O que importava se havia uma barreira possessiva
para eles? Não era da minha conta se Mike Newton se sentia desnecessariamente ansioso
por ela. Talvez essa era a forma que todos respondiam a ela. Eu também não tinha,
instintivamente, querido protegê-la? Antes de eu ter querido matá-la, quero dizer...
Mas estava a garota doente?
Era difícil julgar – ela parecia tão delicada em sua pele translúcida... Então eu
percebi que estava me preocupando, também, exatamente como aquele garoto
estúpido, e eu me forcei a não pensar sobre saúde dela.
Apesar disso, eu não gostava de monitorá-la pelos pensamentos de Mike. Eu
mudei para os de Jéssica, observando cuidadosamente eles três escolherem uma mesa
para se sentar. Felizmente, eles sentaram com os companheiros normais de Jéssica,
numa das primeiras mesas da sala. Não na direç ão do vendo, exatamente como Alice
havia prometido.
Alice me acotovelou. Ela irá olhar em breve, aja como um humano.
Eu trinquei meus dentes atrás do meu sorriso forçado .
“Acalme-se, Edward” Emmett disse. “Sério. Então você mata um humano. Isso
dificilmente é o fim do mundo.”
“Você deveria saber” Eu murmurei.
Emmett riu. “Você tem que aprender a superar as coisas. Como eu faço. A
eternidade é um tempo longo demais para se afogar em culpa.”
Nesse instante, Alice jogou um punhado de gelo que ela estava escond endo no rosto de
inocente de Emmett.
Ele piscou surpreso, e então deu um sorriso amarelo de antecipação.
“Você pediu por isso”, ele disse, enquanto se inclinava por sobre a mesa e
balançava seu cabelo cheio de gelo em sua direção. A neve, derretida no cômo do
quente, voou de seu cabelo em uma chuva densa meio -líquida, meio-sólida.
“Eca!” Rose reclamou, enquanto ela e Alice se encolhiam, tentando fugir do
dilúvio.
Alice riu e todos nós a acompanhamos. Eu podia ver na cabeça de Alice como ela
havia orquestrado esse momento perfeito e eu sabia que a garota – eu devia parar de
pensar nela dessa forma, como se ela fosse a única garota no mundo – que Bella estaria
assistindo enquanto nós riamos e brincávamos, parecendo tão felizes e humanos e
surrealmente ideais quanto uma pintura de Norman Rockwell.
Alice continuou rindo e levantou sua badeja como um escudo. A garota – Bella
deveria ainda estar nos encarando.
.Encarando os Cullen novamente, alguém pensou, chamando minha atenção...
Eu olhei automaticamente na direçã o da chamada acidental, percebendo quando
meus olhos acharam seu destino que eu reconhecia a voz – eu a estava escutando demais
hoje.
Mas meus olhos deslizaram por Jéssica e se focaram no olhar penetrante da
garota.
Ela olhou para baixo rapidamente, se esc ondendo em seu denso cabelo
novamente.
O que ela estava pensando? A frustração pareceu ficar mais aguda enquanto o
tempo passava ao invés de diminuir. Eu tentei – incerto do que eu estava fazendo porque
eu nunca havia tentado isso novamente – sondar com minha mente o silêncio ao seu
redor Minha audição extra sempre havia vindo para mim naturalmente, sem pedir; eu
nunca havia tido a necessidade de trabalhar isso. Mas eu me concentrei agora, tentando
quebrar seja lá qual fosse o escudo que a rodeasse.
Nada além do silêncio.
O que é que ela tem? Jéssica pensou, ecoando a minha própria frustração.
“Edward Cullen está te encarando”, ela sussurrou na orelha da garota Swan,
adicionando uma risadinha. Não havia sinal de sua irritação ciumenta no seu tom.
Jéssica parecia ser habilidosa em dissimular amizade.
Eu ouvi, absorto, a resposta da garota.
“Ele não parece irritado, parece?” ela sussurrou de volta.
Então ela tinha percebido minha reação selvagem semana passada. Claro que ela
tinha.
A pergunta confundiu Jéssica. Eu vi meu próprio rosto em seus pensamentos
enquanto ela checava minha expressão, mas eu não encontrei seu olhar. Eu ainda estava
concentrado na garota, tentando ouvir alguma coisa. Meu foco intenso não parecia estar
ajudando de forma alguma.
“Não”, Jess falou para ela e eu sabia que ela gostaria de poder dizer sim – como
isso a corroia por dentro, meu olhar – apesar de não haver nenhum traço disso em sua
voz. “Ele deveria estar?”
“Eu não acho que ele goste de mim”, a garota sussurrou de volta, apoiando s ua
cabeça em seu braço como se ela estivesse subitamente cansada. Eu tentei compreender
o movimento, mas eu só poderia tentar adivinhar. Talvez ela estivesse cansada.
“Os Cullens não gostam de ninguém” Jess a confortou. “Bem, eles não notam
ninguém o suficiente para gostar deles.” Eles nunca costumavam fazer isso. Seu
pensamento era um lamento de reclamação. “Mas ele ainda está te encarando.”
“Pare de olhar para ele”, a garota disse ansiosamente, levantando a sua cabeça
de seu braço para se certificar de qu e Jéssica havia obedecido a sua ordem.
Jéssica riu, mas fez como foi pedida.
A garota não desviou o olhar de sua mesa durante o resto da hora. Eu pensei –
apesar, é claro, de não poder ter certeza – de que isso foi deliberado. Parecia que ela
queria olhar para mim. Seu corpo se virava suavemente em minha direção, seu queixo
começava a virar e então ela percebia, respirava fundo e encarava fixamente seja lá
quem estivesse falando.
Eu ignorei o pensamento dos outros ao redor da garota por quase todo o tempo,
pois eles não eram, momentaneamente, sobre ela. Mike Newton estava planejando uma
guerra de neves no estacionamento depois da escola, não parecendo perceber que a
neve já havia se tornado chuva. O tremor dos pequenos flocos contra o telhado havia se
tornado um padrão mais comum de gotas de chuva. Ele não podia ouvir a mudança?
Parecia tão alto para mim.
Quanto o horário de almoço acabou, eu continuei no meu assento. Os humanos
saíram e eu me peguei tentando distinguir o som de seus passos do som dos outros, como
se houvesse algo importante ou incomum quanto a eles. Que estúpido.
Minha família não fez um movimento para sair também. Eles esperaram para ver
o que eu iria fazer.
Eu iria ir para a sala, sentar ao lado da garota onde eu poderia sentir o cheiro
absurdamente potente de seu sangue e sentir o calor do seu pulso no ar ao redor de
minha pele? Eu era forte o suficiente para isso? Ou eu havia tido o suficiente para um
dia?
“Eu... acho que está tudo bem.” Alice disse, hesitante. “Sua mente está
decidida. Eu acho que você irá sobreviver por essa hora.”
Mas Alice sabia bem o quão rapidamente uma mente poderia mudar.
“Por que forçar, Edward?” Jasper perguntou. Apesar dele não querer se sentir
orgulhoso que eu era quem era fraco dessa vez, eu podia ouvir que ele sentia, só um
pouco. “Vá para casa. Vá devagar.”
“Qual o problema?” Emmett discordou. “Se ele vai ou não matar ela. Deve da
mesma forma superar isso, seja qual for o caminho.”
“Eu ainda não quero me mudar”, Rosalie reclamou. “Eu não quero recomeçar."
Nós estamos quase nos formando no Ensino Médio, Emmett. Finalmente.’
Eu estava de forma justa atormentado pela decisão. Eu queria, eu queria muito,
encarar isso com a cabeça erguida do que fugir novamente. Mas eu não queria me provar
demais, também. Havia sido um erro semana passada para Jasper ficar tanto tempo sem
caçar; isso era um erro tão sem sentido também?
Eu não queria fazer minha família se mudar. Nenhum deles me agradeceria por
isso.
Mas eu queria ir para a minha aula de biologia. Eu percebi que queri a ver o seu
rosto novamente.
Aquilo decidiu a questão para mim. Aquela curiosidade. Eu estava com raiva de
mim mesmo por sentir aquilo. Eu não havia prometido para mim mesmo que eu não
deixaria o silêncio da mente da garota me fazer ficar desnecessariament e interessado
nela? E ainda assim, aqui estava eu, muito desnecessariamente interessado.
Eu queria saber o que ela estava pensando. Sua mente estava fechada, mas seus
olhos eram muito abertos. Talvez eu pudesse lê -los ao invés de sua mente.
“Não, Rose, eu realmente acho que tudo vai ficar bem”, Alice disse. “Está... se
firmando. Eu estou noventa e três por cento certa de que nada de ruim irá acontecer se
ele for para a aula”. Ela olhou para mim inquisitivamente, se perguntando sobre o que
havia mudado em meu pensamento que fez suas visões do futuro ficarem mais seguras.
Seria a curiosidade suficiente para manter Bella Swan viva?
Emmett estava certo, apesar de tudo – por que não superar isso, de alguma
forma? Eu iria encarar a tentação de cabeça erguida.
“Ir para a aula”, eu ordenei, me afastando da mesa. Eu me virei e me afastei
deles sem olhar para trás. Eu podia ouvir a preocupação de Alice, a censura de Jasper, a
aprovação de Emmett e a irritação de Rosalie me seguindo.
Eu tomei mais uma profunda respiraçã o na porta da sala de aula e então prendi o
ar em meus pulmões enquanto eu entrava no espaço pequeno e quente.
Eu não estava atrasado. O professor Banner ainda estava organizando as coisas
para o laboratório de hoje. A garota sentava na minha – na nossa mesa, seu rosto
abaixado novamente, encarando a pasta com a qual estava rabiscando. Eu examinei o
rascunho enquanto eu me aproximava, interessado até nessa criação trivial de sua
mente, mas era sem sentido. Só um desenho aleatório com ondas dentro de ondas.
Talvez ela não estivesse se concentrando no padrão, mas pensando em outra coisa?
Eu puxei minha cadeira um uma grosseria desnecessária, deixando -a arranhar o
linóleo; humanos sempre se sentiam mais confortáveis quando barulho anunciava a
aproximação de alguém.
Eu sabia que ela havia escutado o som; ela não olhou para cima, mas suas mãos
perderam uma onda no desenho que ela estava fazendo, deixando -o desequilibrado.
Por que ela não havia olhado para cima? Provavelmente ela estava assustada. Eu devia
me certificar de deixá-la com uma impressão diferente dessa vez. Faze -la pensar que ela
estava imaginando coisas antes.
“Olá”, eu disse na voz quieta que eu usava quando eu queria deixar os humanos
mais confortáveis, formando um sorriso educado com meus lábios que não mostraria
nada de dentes.
Ela olhou para cima então, seus grandes olhos castanhos chocados – quase
desconcertada – e cheios de perguntas silenciosas. Era a mesma expressão que estava
obstruindo as minhas visões pela última semana.
Enquanto eu encarei aqueles estranhos e profundos olhos castanhos, eu percebi
que o ódio – o ódio que eu imaginei que essa garota de alguma forma merecia por
simplesmente existir – havia evaporado. Sem respirar agora, sem sentir seu cheiro, era
difícil acreditar que alguém tão vulnerável pudesse sequer justificar o ódio.
Suas bochechas começaram a corar e ela não disse nada.
Eu mantive meus olhos nos dela, focando apenas nos seus questionamentos
profundos e tentei ignorar a cor apetitosa. Eu tinha ar o suficiente para falar po r algum
tempo sem precisar respirar.
“Meu nome é Edward Cullen”, eu disse, apesar de saber que ela sabia aquilo. Era
a forma educada de começar. “Eu não tive uma oportunidade de me apresentar semana
passada. Você deve ser Bella Swan.”
Ela pareceu confusa – havia uma pequena ruga entre seus olhos novamente.
Levou meio segundo a mais do que deveria ter levado para ela responder.
“Como você sabe meu nome?” ela perguntou e sua voz tremeu só um pouco.
Eu devo ter realmente aterrorizado ela. Isso me fez sentir cu lpado, ela era
apenas indefesa.Eu ri gentilmente – era o som que eu sabia que fazia os humanos se
sentirem melhor. Novamente, eu tomei cuidado com meus dentes.
“Oh, eu acho que todo mundo sabe seu nome”. Certamente ela deve ter
percebido que ela havia se tornado o centro das atenções nesse lugar monótono. “Toda
a cidade estava esperando pela sua chegada.”
Ela franziu a testa como se essa informação fosse desagradável. Eu presumi que
sendo tímida como ela era, atenção pareceria algo ruim para ela. A maioria dos humanos
sentia o oposto. Apesar deles não quererem se destacar do rebanho, ao mesmo tempo
queriam um holofote para sua uniformidade individual.
“Não” ela disse. “Eu quis dizer, por que me chamou de Bella?”
“Você conseguiu lentes de contato?”, ela pergu ntou abruptamente.
Que pergunta esquisita. “Não.” Eu quase sorri com a idéia de melhorar minha
visão.
“Oh” ela resmungou. “Eu achei que tinha algo diferente com os seus olhos”.
Eu me senti subitamente gelado novamente enquanto eu percebi que eu
aparentemente não era o único querendo desencavar segredos hoje.
Eu dei de ombros, com eles enrijecidos, e olhei na direção para onde o professor
estava fazendo seus círculos.
Claro que havia algo de diferente em meus olhos desde a última vez que ela
havia os encarado. Para me preparar para a experiência de hoje, para a tentação de
hoje, eu havia gastado todo o fim de semana caçando, saciando minha sede tanto
quanto possível, exagerando, na verdade. Eu havia me empanturrado no sangue de
animais, não que fizesse muita diferença na frente de todo o sabor ultrajante flutuando
no ar ao redor dela. Quando eu a encarei da última vez, meus olhos estavam negros com
a sede. Agora, meu corpo estava nadando em sangue, meus olhos estavam em um
dourado aconchegante. Um âmbar claro da minha tentativa excessiva de saciar minha
sede.
Outro escorregão. Se eu havia percebido o que ela queria dizer com a sua
pergunta, eu poderia ter dito apenas sim.
Eu havia sentado ao lado de humanos por dois anos agora nessa escola e ela era a
primeira pessoa a me examinar perto o suficiente para perceber a mudança na cor dos
meus olhos. Os outros, enquanto admiravam a beleza da minha família, tendiam a olhar
para baixo rapidamente quando nós devolvíamos os seus olhares. Eles se afastavam,
bloqueando os detalhes de nossas aparências de uma forma instintiva para afastá -los da
compreensão. Ignorância era uma benção para a mente humana.
Por que tinha que ser essa garota que veria demais?
Professor Banner se aproximou de nossa mesa. Eu agradecidamente puxei o ar
fresco que ele trouxe consigo antes que ele pudesse se misturar com o cheiro dela.
“Então, Edward,” ele disse, olhando por sobre nossas respostas, “você não acha
que Isabella deveria ter uma chance no microscópio?”
“Bella”, eu corrigi ele por reflexo. “Na verdade, ela identificou três de cinco.”
Os pensamentos do professor Banner eram céticos quando ele se virou e olhou
para a garota. “Você já fez esse laboratório antes?”
Eu assistir, curioso, enquanto ela sorria, parecendo levemente envergonhada.
“Não com raiz de cebola.”
“Blástula de pescado branco?”, o senhor Banner a sondou.
“É.”
Isso o surpreendeu. O laboratório de hoje era algo que ele havia tirado de um
curso mais avançado. Ele balançou a cabeça de modo ponderado para a garota. “Você
estava em um programa avançado de colocação em Phoenix?”
“Sim.”
Ela era avançada então, inteligente para uma humana. Isso não me surpreendeu.
“Bem”. Sr. Banner disse, franzindo seus lábios. “Eu acho que é bom que vocês
dois sejam parceiros de laboratório.” Ele se virou e se afastou, resmungando, “Para que
os outros alunos possam ter uma chance de aprender alguma coisa sozinha”, por debaixo
de sua respiração. Eu duvidei que a garota pudesse ouvir aquilo. Ela começou a desenhar
as ondas por sobre sua pasta novamente.
Dois escorregões em meia hora. Um espetáculo muito pobre da minha parte.
Apesar de que não ter idéia do que a garota pensava de mim – quanto ela temia, quanto
ela suspeitava? – eu sabia que precisava colocar um maior esforço para deixá -la com uma
nova impressão de mim. Alguma coisa boa para afogar as suas memórias do nosso último
encontro.
“É uma pena sobre a neve, não é?” Eu disse, repetindo a pequena conversa que
eu já havia escutado uma dúzia de estudantes discutindo. Um tópico entediante,
padrão, de conversa. O tempo – sempre seguro.
Ela me encarou com uma dúvida óbvia nos seus olhos – uma reação anormal para
minhas palavras extremamente normais. “Na verdade não.”, ela disse, me
surpreendendo novamente
Eu tentei dirigir a conversa de volta para um terren o banal. Ela era de um lugar
bem mais brilhante e quente – sua pele parecia refletir isso de alguma forma, apesar de
sua brancura – e o frio deveria fazê-la se sentir desconfortável. Meu toque gelado com
certeza havia...
“Você não gosta de frio.”, eu adivinhei.
“Ou de umidade.”, ela concordou.
“Forks deve ser um lugar difícil para você viver.” Talvez você não devesse ter
vindo para cá, eu queria adicionar. Talvez você devesse voltar para onde você pertence .
Apesar disso, eu não tinha certeza se queria aquil o. Eu iria sempre lembrar do cheiro do
sangue dela – havia alguma garantia de que eu não iria eventualmente segui -la? Além
disso, se ela fosse embora, sua mente permaneceria para sempre um mistério. Um
quebra-cabeça constante e irritante.
“Você não tem idéia.”, ela disse em uma voz baixa, olhando irritada para além
de mim por um momento.
As respostas dela nunca eram o que eu esperava. Elas me faziam querer
perguntar mais.
“Por que você veio para cá, então?” Eu perguntei, percebendo instantemente que
meu tom era muito acusador, sem ser casual o suficiente para a conversa. A pergunta
soou rude, bisbilhoteira.
“É... complicado.”
Ela piscou seus olhos largos, deixando por isso mesmo, e eu quase implodi de
curiosidade – a curiosidade queimava tão quente como a se de na minha garganta. Na
verdade, eu descobri que estava se tornando um pouco mais fácil respirar; a agonia
estava se tornando mais sustentável através da familiaridade.
“Eu acho que eu posso seguir.” Eu insisti. Talvez cortesia em comum a fizesse
responder minhas perguntas enquanto eu fosse rude o suficiente para perguntá -las.
Ela encarou silenciosamente as suas mãos. Isso me deixou impaciente; eu queria colocar
minha mão sob seu queixo e levantar a sua cabeça para que eu pudesse ler os seus
olhos. Mas seria bobo para mim – perigoso – tocar a sua pele novamente.
Ela olhou para cima de repente. Foi um alívio ser capaz de ver as emoções nos olhos
dela novamente. Ela falou rapidamente, se apressando entre as palavras.
“Minha mãe se casou novamente.”
Ah, isso era humano o suficiente, fácil de compreender. A tristeza passou pelos
seus olhos claros e trouxe a ruga novamente entre eles.
“Isso não soa tão complexo”. Eu disse. Minha voz era gentil sem minhas palavras
serem. A sua tristeza me fez sentir estranhamente impotente, desejando que houvesse
algo que eu pudesse fazer para fazê -la se sentir melhor. Um estranho impulso. “Quando
isso aconteceu?”
“Setembro passado.”. Ela expirou pesadamente – não realmente um suspiro. Eu
prendi minha respiração enquanto o ar morno que saia dela passava por minha pele.
“E você não gosta dele.”, eu adivinhei, pescando por mais informações.
“Não, Phil é legal.” Ela disse, corrigindo minha suposição. Havia agora a
insinuação de um sorriso em torno das curvas de seus lábios cheios. “Mui to novo, talvez,
mas legal o suficiente.”
Isso não se encaixava com o cenário que eu estava construindo na minha cabeça.
“Por que você não ficou com eles?” eu perguntei, minha voz um pouco curiosa
demais. Parecia que eu estava sendo intrometido. O que eu e stava, na verdade.
“Phil viaja muito. Ele joga bola como profissional.” O pequeno sorriso cresceu
mais pronunciado; essa escolha de carreira a divertia.
Eu sorri também, sem querer. Eu não estava tentando fazê -la sentir-se aliviada.
O sorriso dela apenas me fez querer sorrir em resposta – estar por dentro do segredo.
“Já ouvi falar dele?” Eu percorri a lista de jogadores de bola profissionais na
minha cabeça, me perguntando qual dos Phil seria o dela.
“Provavelmente não, ele não joga bem.” Outro sorriso. “E stritamente liga menor.
Ele se muda bastante.”
A lista em minha cabeça mudou instantaneamente, e eu fiz uma lista de
possibilidades em menos de um segundo. Ao mesmo tempo, estava imaginando o novo
cenário.
“E sua mãe te mandou pra cá para que ela pudesse viajar com ele” eu disse.
Fazer suposições parecia tirar mais informações dela do que perguntas tiraram. E isso
funcionou de novo. Seu queixo se empinou, e sua expressão estava repentinamente
obstinada.
“Não, ela não me mandou pra cá,” ela disse, e sua voz tinha um novo, forte
timbre. Minha suposição havia chateado -a, embora eu não pudesse ver como. “Eu me
mandei.”
Eu não podia adivinhar o que isso significava, ou o motivo por trás de seu
ressentimento. Eu estava completamente perdido.
Então desisti. Ela não fazia sentido. Ela não era como outros humanos. Talvez o
silêncio de seus pensamentos e o perfume de seu cheiro não eram as únicas coisas
incomuns sobre ela.
“Eu não entendo,” admiti, odiando fazê -lo.
Ela suspirou, e encarou meus olhos por mais tempo que a maioria dos humanos
normais podia agüentar.
“Ela ficou comigo no início, mas ela sentia falta dele,” ela explicou lentamente,
seu tom crescendo mais desolado com cada palavra. “Isso a fez infeliz... então decidi
que era a hora de passar mais tempo de qu alidade com Charlie.”
O pequeno franzido entre seus olhos se aprofundou.
“Mas agora você está infeliz,” murmurei. Eu não conseguia parar de falar minhas
hipóteses em voz alta, esperando aprender com as reações dela. Essa reação,
entretanto, não pareceu mui to longe da marca.
“E?” ela disse, como se isso nem fosse um aspecto a ser considerado.
Eu continuei a encarar seus olhos, sentindo que eu finalmente tinha pego meu
primeiro vislumbre dentro de sua alma. Eu vi nessa única palavra aonde ela classificava
ela mesma em uma de suas prioridades. Diferente de muitos humanos, suas próprias
necessidades estavam bem no final da lista.
Ela era humilde.
Quando vi isso, o mistério da pessoa escondida dentro dessa mente quieta
começou a dispersar um pouco.
“Isso não parece justo,” eu disse. Dei de ombros, tentando parecer casual,
tentando esconder a intensidade da minha curiosidade.
Ela gargalhou, mas não tinha diversão no som. “Ninguém nunca te disse? A vida
não é justa.”
Eu queria rir das palavras dela, embora eu, também, não tenha sentido nenhuma
diversão. Eu sabia um pouco sobre a injustiça da vida. “Eu acho que já ouvi isso em
algum lugar antes.”
Ela me encarou de volta, parecendo confusa de novo. Seus olhos lampejaram
para longe, e depois voltaram para os meus.
“Então isso é tudo,” ela me disse.
Mas eu não estava pronto para deixar essa conversa terminar. O pequeno V entre
seus olhos, uma lembrança de seu pesar, me incomodava. Eu queria suavizar isso com a
ponta dos meus dedos. Porém, é claro, eu não podia tocá -la. Isso era inseguro de muitas
maneiras.
“Você colocou de uma boa forma.” Eu disse lentamente, ainda considerando a
próxima hipótese. “Mas eu apostaria que você está sofrendo mais do que deixa qualquer
um ver.”
Ela fez uma careta, seus olhos estreitando e sua b oca se retorcendo em um
beicinho torto, e olhou de volta para frente da turma. Ela não gostou quando eu chutei
certo. Ela não era uma vítima – ela não queria uma audiência para sua dor.
“Estou errado?”
Ela encolheu ligeiramente, contudo fingiu que não me o uviu.
Isso me fez sorrir. “Acho que não.”
“Por que isso importa pra você?” ela questionou, ainda encarando longe.
“Essa é uma boa pergunta,” admiti, mais para mim do que para respondê -la.
O discernimento dela era melhor que o meu – ela viu diretamente o núcleo das
coisas enquanto eu debatia ao redor das bordas, procurando cegamente por idéias. Os
detalhes da vida humana dela não importavam para mim. Era errado para mim me
importar com o que ela pensava. Além de proteger minha família de suspeitas,
pensamentos humanos não eram significantes.
Eu não estava acostumado a ser o menos intuitivo em qualquer dupla. Eu confiei
em minha audição extra demais – claramente eu não era tão perceptivo quanto eu tinha
dado crédito a mim mesmo.
A garota suspirou e olhou descontente para a frente da classe. Algo sobre sua
expressão frustrada era cômico. A situação toda, a conversa inteira era cômica. Ninguém
tinha estado em mais perigo comigo que essa garotinha – a qualquer momento eu posso,
distraído pela minha ridícula absorç ão nessa conversa, inalar pelo meu nariz e atacá -la
antes de conseguir parar a mim mesmo – e ela estava irritada porque eu não havia
respondido sua pergunta.
“Estou te perturbando?” eu perguntei, sorrindo com o absurdo disso tudo.
Ela me olhou rapidamente, e então seus olhos pareceram ser trapaceados pelo meu
olhar.
“Não exatamente,” ela me disse. “Estou mais perturbada comigo mesma. Meu
rosto é tão fácil de ler – minha mãe sempre me chamou de livro aberto.”
Ela franziu o cenho, insatisfeita.
Eu a encarei com espanto. A razão porque ela estava chateada era porque ela
achava que eu tinha visto por ela muito facilmente. Que bizarro. Eu nunca gastei tantos
esforços para entender alguém em toda a minha vida – ou ao menos existência, já que
vida era dificilmente a palavra correta. Eu não tinha realmente uma vida.
“Ao contrário,” discordei, sentindo -me estranhamente... cauteloso, como se
houvesse algum perigo escondido que eu estivesse falhando em ver. Eu estava
subitamente na borda, a premonição me tornando ansio so. “Eu acho você muito difícil
de ler.”
“Você deve ser um bom leitor, então,” ela deduziu, fazendo sua própria hipótese
que estava, de novo, exatamente certo.
“Normalmente sim,” concordei.
Eu sorri abertamente para ela então, deixando meus lábios puxados para expor a
fileira de brilhantes, afiados dentes por trás deles.
Era algo estúpido de se fazer, mas eu estava abruptamente, inesperadamente
desesperado para conseguir algum tipo de advertência vindo da garota. O corpo dela
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