quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Então a outra imagem, tão parecida, embora agora colorida por horror. Alice e Bella, seus
braços continuavam enrolados um no outro numa amizade confiável. Mas agora não existia
diferença entre aqueles braços – ambos eram brancos, lisos como mármore, duros como
ferro. Os olhos grandes de Bella já não eram chocolate. As íris eram um chocante, vivido
carmesim. Os segredos neles eram incompreensíveis – aceitação ou desolação? Era
impossível dizer. Seu rosto era frio e imortal.
Eu estremeci. Eu não podia suprimir as perguntas, parecido, mas diferente: O que isso
queria dizer – como isso veio à tona? E o que ela pensava sobre mim agora?
Eu podia responder a ultima. Se eu a forçasse para essa meia -vida vazia pela minha
fraqueza e egoísmo, certamente ela me odiaria.
Mas havia mais uma imagem horrível – pior do que qualquer imagem que eu já tive em
minha cabeça.
Meus próprios olhos, profundos carmesins com sangue humano, os olhos do monstro. O
corpo quebrado de Bella em meus braços, p álido branco, drenado, sem vida. Era tão
concreto, tão claro.
Eu não podia agüentar ver isso. Não suportava isso. Tentei banir isso da minha mente,
tentei ver outra coisa, qualquer coisa. Tentei ver de novo a expressão em seu rosto vivido
que obstruiu minha visão do ultimo capitulo de minha existência. Tudo em vão.
A visão desolada de Alice encheu minha cabeça, e eu me contorci internamente com a
agonia que isso causou. Enquanto isso, o monstro dentro de mim estava transbordando de
deleite, jubiloso pela coincidência de seu sucesso. Isso me enojou.
Isso não podia ser permitido. Devia haver uma forma de circundar o futuro. Eu não deixaria
as visões de Alice me dirigirem. Eu podia escolher uma trilha diferente. Sempre havia uma
escolha.
Tinha que haver.

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