rascunho enquanto eu me aproximava, interessado até nessa criação trivial de sua
mente, mas era sem sentido. Só um desenho aleatório com ondas dentro de ondas.
Talvez ela não estivesse se concentrando no padrão, mas pensando em outra coisa?
Eu puxei minha cadeira um uma grosseria desnecessária, deixando -a arranhar o
linóleo; humanos sempre se sentiam mais confortáveis quando barulho anunciava a
aproximação de alguém.
Eu sabia que ela havia escutado o som; ela não olhou para cima, mas suas mãos
perderam uma onda no desenho que ela estava fazendo, deixando -o desequilibrado.
Por que ela não havia olhado para cima? Provavelmente ela estava assustada. Eu devia
me certificar de deixá-la com uma impressão diferente dessa vez. Faze -la pensar que ela
estava imaginando coisas antes.
“Olá”, eu disse na voz quieta que eu usava quando eu queria deixar os humanos
mais confortáveis, formando um sorriso educado com meus lábios que não mostraria
nada de dentes.
Ela olhou para cima então, seus grandes olhos castanhos chocados – quase
desconcertada – e cheios de perguntas silenciosas. Era a mesma expressão que estava
obstruindo as minhas visões pela última semana.
Enquanto eu encarei aqueles estranhos e profundos olhos castanhos, eu percebi
que o ódio – o ódio que eu imaginei que essa garota de alguma forma merecia por
simplesmente existir – havia evaporado. Sem respirar agora, sem sentir seu cheiro, era
difícil acreditar que alguém tão vulnerável pudesse sequer justificar o ódio.
Suas bochechas começaram a corar e ela não disse nada.
Eu mantive meus olhos nos dela, focando apenas nos seus questionamentos
profundos e tentei ignorar a cor apetitosa. Eu tinha ar o suficiente para falar po r algum
tempo sem precisar respirar.
“Meu nome é Edward Cullen”, eu disse, apesar de saber que ela sabia aquilo. Era
a forma educada de começar. “Eu não tive uma oportunidade de me apresentar semana
passada. Você deve ser Bella Swan.”
Ela pareceu confusa – havia uma pequena ruga entre seus olhos novamente.
Levou meio segundo a mais do que deveria ter levado para ela responder.
“Como você sabe meu nome?” ela perguntou e sua voz tremeu só um pouco.
Eu devo ter realmente aterrorizado ela. Isso me fez sentir cu lpado, ela era
apenas indefesa.Eu ri gentilmente – era o som que eu sabia que fazia os humanos se
sentirem melhor. Novamente, eu tomei cuidado com meus dentes.
“Oh, eu acho que todo mundo sabe seu nome”. Certamente ela deve ter
percebido que ela havia se tornado o centro das atenções nesse lugar monótono. “Toda
a cidade estava esperando pela sua chegada.”
Ela franziu a testa como se essa informação fosse desagradável. Eu presumi que
sendo tímida como ela era, atenção pareceria algo ruim para ela. A maioria dos humanos
sentia o oposto. Apesar deles não quererem se destacar do rebanho, ao mesmo tempo
queriam um holofote para sua uniformidade individual.
“Não” ela disse. “Eu quis dizer, por que me chamou de Bella?”
“Você conseguiu lentes de contato?”, ela pergu ntou abruptamente.
Que pergunta esquisita. “Não.” Eu quase sorri com a idéia de melhorar minha
visão.
“Oh” ela resmungou. “Eu achei que tinha algo diferente com os seus olhos”.
Eu me senti subitamente gelado novamente enquanto eu percebi que eu
aparentemente não era o único querendo desencavar segredos hoje.
Eu dei de ombros, com eles enrijecidos, e olhei na direção para onde o professor
estava fazendo seus círculos.
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