Mas eu não fui correr hoje. Em vez disso, fui caçar.
Os outros iriam caçar amanhã, mas eu não podia estar com sede agora. Exagerei, bebendo
mais do que o necessário, me fartando de novo - um pequeno grupo de cervos e um urso
negro que tive a sorte de cruzar tão cedo no ano. Estava tão cheio que era desconfortável.
Por que isso não podia ser o suficiente? Por que o cheiro dela tinha que ser tão mais forte
que todas as outras coisas?
Eu tinha caçado para me preparar para o próximo dia, mas, quando eu não conseguia mais
fazer isso e o sol ainda estava a horas de nascer, soube que o próximo dia não chegaria
rápido o bastante.
A enorme tensão me varreu outra vez quando eu percebi que ia encontrar a garota.
Eu lutei comigo todo o caminho de volta a Forks, mas meu lado menos no bre ganhou a
discussão, e eu segui adiante com meu plano indefensável. O monstro estava inquieto, mas
bem alimentado. Eu sabia que manteria uma distância segura dela. Só queria saber como
ela estava. Só queria ver seu rosto.
Passava da meia-noite e a casa de Bella estava escura e silenciosa. A picape dela
estacionada no meio-fio e a radiopatrulha de seu pai na entrada de carros. Não havia
pensamentos conscientes em lugar algum na vizinhança. Olhei a casa por um momento, da
escuridão da floresta me a cercava do lado leste. A porta da frente provavelmente estava
trancada - não que isso fosse um problema, exceto que eu não queria deixar a porta
quebrada como evidência para trás. Decidi tentar a janela de cima primeiro. Não existiam
muitas pessoas que se import avam em instalar uma fechadura ali.
Cruzei o jardim aberto e escalei a parede da casa em meio segundo. Pendurado por uma
mão na calha que ficava em cima da janela, olhei pelo vidro, e minha respiração parou.
Era o quarto dela. Eu a conseguia ver, as cobert as no chão e os lençóis enrolados por suas
pernas. Enquanto eu olhava, ela se virou inquieta e colocou um braço por cima da cabeça.
Ela não dormia profundamente, pelo menos não à noite. Ela sentiu o perigo próximo?
Fiquei com nojo de mim mesmo quando a vi mexer de novo. O quanto eu era melhor que
qualquer outro bisbilhoteiro? Eu não era melhor. Era muito, muito pior.
Relaxei as pontas dos meus dedos, para me deixar cair. Mas primeiro me permiti um longo
olhar para o rosto dela.
Não estava tranqüilo. A pequena ruga estava entre suas sobrancelhas, os cantos de seus
lábios para baixo. Seus lábios tremeram, e então se abriram.
- Está bem, mãe. - ela resmungou.
Bella falava dormindo.
A curiosidade me invadiu, mais forte que o nojo que tinha por mim mesmo. O encan to que
aqueles pensamentos falados, desprotegidos e inconscientes, era incrivelmente tentador.
Eu tentei abrir a janela, e não estava fechada, embora tenha travado por ter ficado tanto
tempo sem ser aberta. Eu a empurrei lentamente para o lado, encolhendo a cada pequeno
gemido que a moldura de metal fazia. Teria que achar algum óleo para a próxima vez…
Próxima vez? Eu balancei a cabeça, com nojo de novo.
Passei silenciosamente pela janela meio aberta.
O quarto dela era pequeno - desorganizado, mas não sujo. Havia livros empilhados no chão
perto da sua cama, suas lombadas viradas para o outro lado, e CDs espalhados perto de seu
disc-man barato - o que estava por cima era só uma caixa vazia. Papéis cercavam um
computador que parecia mais pertencer a um museu d edicado a tecnologias obsoletas.
Sapatos estavam no chão de madeira.
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