quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

do meu foco. Ela não me viu – nenhum olho humano poderia ter seguido meu vôo – ainda
encarando a pesada forma que estava perto de triturar o corpo dela na moldura de metal da
sua caminhonete.
Eu a peguei pela cintura, me movendo com muit a urgência para ser tão gentil
quanto ela precisaria que eu fosse. Nos milésimos de segundo entre o tempo que eu puxei
bruscamente sua franzina forma do caminho da morte e o tempo que eu bati contra o chão
com ela nos meus braços, eu me tornei vividamente consciente do seu corpo frágil e
quebrável.
Quando eu ouvi a cabeça dela bater fortemente contra o gelo, eu senti como se
tivesse me tornado gelo, também.
Mas eu não tive nem um segundo inteiro para me assegurar da condição dela. Eu
ouvi a van atrás de nós, esfregando e com um som alto enquanto se dobrava em torno do
robusto ferro da caminhonete da garota. Estava mudando de curso, fazendo um arco, vindo
para ela de novo – como se ela fosse um imã, puxando para cima de nós.
“Droga,” eu silvei.
Eu já havia feito demais. Enquanto eu estava voando pelo ar para tirar ela do
caminho, eu me tornei ciente do erro que eu estava fazendo. Saber que era um erro não me
fez parar, mas eu não estava sem o conhecimento do risco que eu estava sofrendo –
sofrendo, não apenas para mim, mas para toda a minha família.
Exposição.
E isso certamente não ia ajudar, mas não havia como eu permitir aquela van de
suceder na sua segunda tentativa de tirar a vida dela.
Eu a larguei e liberei minhas mãos, pegando a van antes que ela pudess e tocar a
garota. A força dela me arremessou com força de volta para o carro estacionado perto da
caminhonete, e eu pude sentir a sua carroceria deformar -se atrás dos meus ombros. A van
tremeu e balançou contra os inflexíveis obstáculos dos meus braços, e então oscilou,
balançando instavelmente nos dois pneus restantes.
Se eu movesse minhas mãos, a parte de trás da van ia cair em cima das pernas dela.
Oh, pelo amor de tudo que é sagrado, a catástrofe não ia acabar nunca? Tinha mais
alguma coisa que poderia dar errado? Eu dificilmente poderia sentar aqui, segurando a van
no ar e esperar por resgate. Também não podia jogar a van longe – havia o motorista para
considerar, os pensamentos dele incoerentes pelo pânico.
Com um gemido interno, eu empurrei a van para que balançasse para longe de nós
por um instante. Quando voltou para cima de mim, eu peguei por baixo da carroceria com a
minha mão direita enquanto eu envolvi meu braço esquerdo em torno da cintura da garota
de novo e arrastei-a de debaixo da van, puxando-a próxima ao meu corpo. O corpo dela se
moveu sem firmeza enquanto eu balançava -a de modo que as suas pernas estivessem fora
de perigo – ela estava consciente? Quantos danos eu teria causado a ela na minha tentativa
de resgate improvisada?
Eu deixei a van cair, agora que não podia mais machucá -la. Bateu com força no
pavimento, todas as janelas se quebrando em uníssono.
Eu sabia que eu estava no meio de uma crise. Quanto ela teria visto? Teria alguma
outra testemunha me visto me materializar ao lado dela e então fazer malabarismos com a
van enquanto tentava tirar ela debaixo? Essas questões deveriam ser minhas maiores
preocupações.
Mas eu estava muito ansioso para realmente me importar com a ameaça de
exposição tanto quanto eu deveria. Atingido por um ataque de pânico de que eu talvez

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