quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“Muito obrigado,” eu murmurei, rápido e baixo. Nenhum humano me ouviu. Os
lábios de Carlisle se elevaram um pouco com o meu sarcasmo enquanto ele virava para
Tyler. “Eu sinto dizer que você vai ter que ficar conosco um pouco mais,” ele disse
enquanto começava a examinar os cortes feitos pelos vidros da janela espatifada.
Bom, eu fiz a bagunça, então era apenas justo que eu tivesse que lidar com ela.
Bella caminhou deliberadamente na minha direção, não p arando até que estava
desconfortavelmente perto. Eu lembrei como eu tinha esperado, antes de todo o caos, que
ela viesse falar comigo...isso era como uma zombaria daquele desejo.
“Eu posso falar com você por um minuto?” ela sibilou para mim.
O hálito quente dela tocou meu rosto e eu tive que dar um passo cambaleante para
trás. A atração por ela não tinha sido abalada nem um pouco. Toda vez que ela estava
próxima a mim, desencadeava todos os meus piores, mais urgentes instintos. O veneno
transbordava na minha boca e o meu corpo ansiava atacar – puxar ela para os meus braços e
esmagar a garganta dela contra os meus dentes.
Minha mente era mais forte do que o meu corpo, mas só por um pouco.
“Seu pai está esperando por você,” eu lembrei a ela, meu maxilar cerrad o com força.
Ela deu uma olhada rápida para Carlisle e Tyler. Tyler não estava prestando atenção
alguma, mas Carlisle estava monitorando cada respiração minha.
Cuidado, Edward.
“Eu gostaria de falar com você a sós, se você não se importa,” ela insistiu num a voz
baixa.
Eu queria dizer para ela que eu me importava muito, mas eu sabia que
eventualmente teria que fazer isso. Eu podia de qualquer modo fazer de uma vez.
Eu estava tão cheio de emoções conflitantes enquanto saía à espreita do quarto,
ouvindo os passos tropeçantes dela atrás de mim, tentando me acompanhar.
Eu tinha um espetáculo para apresentar. Eu sabia qual o papel que iria interpretar –
eu tinha o personagem definido: eu seria o vilão. Eu ia mentir e zombar e ser cruel.
Ia contra todos os meus melhores impulsos – os impulsos humanos a que eu tinha
me apegado todos esses anos. Eu nunca quis merecer confiança mais do que nesse
momento, quando eu tinha que destruir toda a possibilidade de merecer.
E era pior ainda saber que essa seria a última memória que ela teria de mim. Essa
era a minha cena da despedida.
Eu me virei para ela.
“O que você quer?” eu perguntei friamente.
Ela se encolheu para trás levemente da minha hostilidade. Os olhos dela se tornaram
confusos, a expressão que tinha me atormentado.. .
“Você me deve uma explicação,” ela disse numa voz baixa; o seu rosto de marfim
em branco.
Foi difícil manter a minha voz áspera. “Eu salvei a sua vida – eu não lhe devo
nada.”
Ela estremeceu – me queimou como ácido ver as minhas palavras a magoarem.
“Você prometeu.”, ela murmurou.
“Bella, você bateu a sua cabeça, você não sabe do que está falando.”
O queixo dela se elevou. “Não tem nada de errado com a minha cabeça.”
Ela estava furiosa agora, e isso fez ser mais fácil para mim. Eu encontrei o seu olhar
furioso, fazendo meu rosto mais hostil.
“O que você quer de mim, Bella?”

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