sentidos, em tempos de estresse. Isso guiava o caminho na caça, era o primeiro aviso em
caso de perigo. Eu não cruzava com freqüência com algo tão perigoso quanto eu, mas
autopreservação era tão forte em minha espécie como era na maioria dos humanos.
Desconfortável, mas administrável. Mais suportável que sentir o cheiro dela e não
cravar meus dentes por aquela sutil, fina, transparente pele até o quente, molhado,
pulsante –
Uma hora! Só uma hora. Eu não devo pensar no cheiro, no gosto.
A garota silenciosa manteve seu cabelo entre nós, se inclinando p ara a frente
fazendo-o se espalhar ao longo da mesa. Eu não podia ver seu rosto, para tentar ler as
emoções em seus claros, profundos olhos. Era por isso que ela havia deixado suas ondas
se espalharem entre nós? Para esconder esses olhos de mim? Longe de m edo? Timidez?
Para guardar seus segredos de mim?
Minha irritação precedente por ser bloqueado pelos pensamentos mudos dela era
fraca e pálida em comparação com a necessidade – e o ódio – que me possuiu agora. Por
eu odiar essa frágil menina do meu lado, od iá-la com todo o fervor com o qual eu me
agarrei ao meu eu passado, meu amor pela minha família, meus sonhos de ser algo
melhor do que eu era... Odiá-la, odiar o que ela me fez sentir – isso ajudou um pouco.
Sim, a irritação que eu senti antes foi fraca, mas ela, também, ajudou um pouco. Me
agarrei a qualquer emoção que me distraísse de imaginar como seria o gosto dela...
Ódio e irritação. Impaciência. A hora nunca passaria?
E quando a hora acabasse... Então ela andaria para fora dessa sala. E eu faria
isso?
Eu poderia me apresentar. Olá, meu nome é Edward Cullen. Poderia te
acompanhar até sua próxima aula?
Ela diria sim. Seria a coisa educada a se fazer. Mesmo já me temendo, como eu
suspeitava que ela estivesse, ela me seguiria convencionalmente e andaria a o meu lado.
Deveria ser fácil guiá-la para a direção errada. Um pedaço da floresta se esgueirava
como um dedo para tocar a esquina de trás do estacionamento. Eu poderia dizer a ela
que havia esquecido um livro no meu carro...
Alguém notaria que eu seria a última pessoa com quem ela tinha sido vista?
Estava chovendo, como de costume; duas capas de chuva escuras indo para a direção
errada não trariam muito interesse ou me denunciariam.
Exceto por não ser o único aluno que estava consciente dela – embora ninguém
estivesse mais consciente do que eu estava. Mike Newton, em particular, estava bem
consciente de cada mudança no seu peso enquanto ela mexia no seu cabelo – ela estava
desconfortável tão próxima de mim, exatamente como qualquer pessoa estaria, como eu
esperava pouco antes do seu cheiro destruir toda a simpática preocupação. Mike Newton
notaria se eu saísse da sala de aula com ela.
Se eu conseguisse resistir uma hora, resistiria duas?
Encolhi-me em face da dor da queimação.
Ela deveria ir para uma casa vazia.
O chefe de polícia Swan trabalha o daí todo. Eu conhecia a casa dele, assim como
conhecia toda casa, nessa pequena cidade. Sua casa estava no alto em meio a densa
floresta, sem nenhum vizinho próximo. Mesmo se ela tivesse tempo de gritar, o que não
teria, não existiria ninguém para ouvir.
Este seria o modo responsável de lidar com isso. Eu tinha passado sete décadas
sem sangue humano. Se segurasse minha respiração, eu poderia resistir duas horas. E
quando a tivesse sozinho, não existiria chance alguma de ninguém se ferir. E nenhuma
necessidade de apressar a experiência, o monstro em minha cabeça concordou.
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