Claro que havia algo de diferente em meus olhos desde a última vez que ela
havia os encarado. Para me preparar para a experiência de hoje, para a tentação de
hoje, eu havia gastado todo o fim de semana caçando, saciando minha sede tanto
quanto possível, exagerando, na verdade. Eu havia me empanturrado no sangue de
animais, não que fizesse muita diferença na frente de todo o sabor ultrajante flutuando
no ar ao redor dela. Quando eu a encarei da última vez, meus olhos estavam negros com
a sede. Agora, meu corpo estava nadando em sangue, meus olhos estavam em um
dourado aconchegante. Um âmbar claro da minha tentativa excessiva de saciar minha
sede.
Outro escorregão. Se eu havia percebido o que ela queria dizer com a sua
pergunta, eu poderia ter dito apenas sim.
Eu havia sentado ao lado de humanos por dois anos agora nessa escola e ela era a
primeira pessoa a me examinar perto o suficiente para perceber a mudança na cor dos
meus olhos. Os outros, enquanto admiravam a beleza da minha família, tendiam a olhar
para baixo rapidamente quando nós devolvíamos os seus olhares. Eles se afastavam,
bloqueando os detalhes de nossas aparências de uma forma instintiva para afastá -los da
compreensão. Ignorância era uma benção para a mente humana.
Por que tinha que ser essa garota que veria demais?
Professor Banner se aproximou de nossa mesa. Eu agradecidamente puxei o ar
fresco que ele trouxe consigo antes que ele pudesse se misturar com o cheiro dela.
“Então, Edward,” ele disse, olhando por sobre nossas respostas, “você não acha
que Isabella deveria ter uma chance no microscópio?”
“Bella”, eu corrigi ele por reflexo. “Na verdade, ela identificou três de cinco.”
Os pensamentos do professor Banner eram céticos quando ele se virou e olhou
para a garota. “Você já fez esse laboratório antes?”
Eu assistir, curioso, enquanto ela sorria, parecendo levemente envergonhada.
“Não com raiz de cebola.”
“Blástula de pescado branco?”, o senhor Banner a sondou.
“É.”
Isso o surpreendeu. O laboratório de hoje era algo que ele havia tirado de um
curso mais avançado. Ele balançou a cabeça de modo ponderado para a garota. “Você
estava em um programa avançado de colocação em Phoenix?”
“Sim.”
Ela era avançada então, inteligente para uma humana. Isso não me surpreendeu.
“Bem”. Sr. Banner disse, franzindo seus lábios. “Eu acho que é bom que vocês
dois sejam parceiros de laboratório.” Ele se virou e se afastou, resmungando, “Para que
os outros alunos possam ter uma chance de aprender alguma coisa sozinha”, por debaixo
de sua respiração. Eu duvidei que a garota pudesse ouvir aquilo. Ela começou a desenhar
as ondas por sobre sua pasta novamente.
Dois escorregões em meia hora. Um espetáculo muito pobre da minha parte.
Apesar de que não ter idéia do que a garota pensava de mim – quanto ela temia, quanto
ela suspeitava? – eu sabia que precisava colocar um maior esforço para deixá -la com uma
nova impressão de mim. Alguma coisa boa para afogar as suas memórias do nosso último
encontro.
“É uma pena sobre a neve, não é?” Eu disse, repetindo a pequena conversa que
eu já havia escutado uma dúzia de estudantes discutindo. Um tópico entediante,
padrão, de conversa. O tempo – sempre seguro.
Ela me encarou com uma dúvida óbvia nos seus olhos – uma reação anormal para
minhas palavras extremamente normais. “Na verdade não.”, ela disse, me
surpreendendo novamente
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