quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

num futuro imediato, mergulhando por visões de monotonia para a fonte da minha
expressão.
Eu virei minha cabeça para a esquerda devagar, como se estivesse olhando para
os tijolos da parede, suspirei, e então para a direita, de volta para as rachaduras no
teto. Só Alice sabia que eu estava balançando a cabeça.
Ela relaxou. Me deixe saber se isso ficar muito ruim.
Eu só movi meus olhos, para o teto acima, e de volta para baixo.
Obrigada por estar fazendo isso.
Eu estava feliz por não poder respondê -la em voz alta. O que eu diria? “O prazer
foi meu?” Não era assim. Eu não gostava de ouvir Jasper relutante. Era mesmo
necessário fazer experiências assim? Não seria o melhor caminho admitir que ele nunca
será capaz de agüentar a cede como o resto de nós pode, e não forçar seus limites? Por
que flertar com o desastre?
Tinham se passado duas semanas desde nossa ultima viagem de caça. Esse tempo
não era uma imensa dificuldade para o resto de nós. Um pouco desconfortável
ocasionalmente – se um humano andasse muito próximo, se o vento soprasse na direção
errada. Mas humanos raramente se aproximavam. Seus instintos diziam a eles o que suas
mentes conscientes nunca entenderiam: nós éramos perigosos.
Jasper estava muito perigoso agora.
Nesse momento, uma pequena garota parou no final da mesa mais próxima da
nossa, para conversar com uma amiga. Ela jogou seu cabelo curto, cor de areia,
passando os dedos por ele. Os aquecedores sopraram seu cheiro para nossa direção. Eu
estava acostumado com a maneira com a qual o cheiro me fazia sentir – a dor seca na
minha garganta, o anseio vazio no meu estomago, a contração automática dos meus
músculos, o excesso de veneno fluindo na minha boca...
Isso era tudo bem normal, geralmente fácil de ignorar. Só foi difícil agora, com os
sentimentos fortes, dobrados, enquanto eu monitorava a reação de J asper. Sedes
gêmeas, não somente a minha.
Jasper estava deixando sua imaginação passear. Ele estava imaginando isso –
imaginando si mesmo levantando de seu assento próximo de Alice e ficando ao lado da
pequena garota. Pensando em se inclinar para baixo, co mo se fosse sussurrar em seu
ouvido, e deixando seus lábios tocarem a curva da garganta dela. Imaginando como a
sensação do fluido quente do pulso dela por baixo da fina camada de pele seria em baixo
da sua boca.
Eu chutei a cadeira dele.
Ele encontrou meu olhar por um minuto, e depois olhou para baixo. Eu podia
ouvir vergonha e rebeldia em guerra na sua mente.
“Desculpe”, Jasper murmurou.
Dei de ombros.
“Você não ia fazer nada”, Alice murmurou para ele, amenizando seu embaraço.
“Eu podia ver isso.”
Eu lutei contra a careta que denunciaria sua mentira. Nós tínhamos que
permanecer juntos, Alice e eu. Não era fácil, ouvir vozes ou ver cenas do futuro. As duas
aberrações entre aqueles que já eram aberrações. Nós protegíamos o segredo um do
outro.
“Ajuda um pouco se você pensar neles como pessoas”, Alice sugeriu, sua voz alta
e musical, rápida demais para ouvidos humanos entenderem, se algum estivesse próximo
demais para ouvir. “O nome dela é Witney, ela tem uma irmãzinha bebe que ela adora.
A mãe dela convidou Esme para essa festa no jardim, se lembra?”

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