quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“Nada”, eu ouvi Bella dizer naquela voz quieta e clara. Parecia soar como um
sino acima da tagarelice da cafeteria, mas eu sabia que era só porque eu estava
ouvindo-a muito intensamente.
“Eu só vou pegar um refrigerante hoje”, ela continuou enquanto se movia para
alcançar a fila.
Eu não pude evitar lançar um olhar em sua direção. Ela estava encarando o chão,
o sangue suavemente escapando de seu rosto. Eu desviei o olhar rapidamente, para
Emmett, que riu ao ver meu sorri so dolorido que agora estava em meu rosto.
Você parece doente, mano.
Eu reorganizei minhas feições para que minha expressão parecesse casual e sem
esforço.
Jéssica estava perguntando em voz alta sobre a falta de fome da garota. “Você
não está com fome?”
“Na verdade, eu estou um pouco enjoada.” A voz dela estava mais baixa, mas
ainda muito clara.
Por que isso me incomodava, a preocupação protetora que de repente emanou
dos pensamentos de Mike Newton? O que importava se havia uma barreira possessiva
para eles? Não era da minha conta se Mike Newton se sentia desnecessariamente ansioso
por ela. Talvez essa era a forma que todos respondiam a ela. Eu também não tinha,
instintivamente, querido protegê-la? Antes de eu ter querido matá-la, quero dizer...
Mas estava a garota doente?
Era difícil julgar – ela parecia tão delicada em sua pele translúcida... Então eu
percebi que estava me preocupando, também, exatamente como aquele garoto
estúpido, e eu me forcei a não pensar sobre saúde dela.
Apesar disso, eu não gostava de monitorá-la pelos pensamentos de Mike. Eu
mudei para os de Jéssica, observando cuidadosamente eles três escolherem uma mesa
para se sentar. Felizmente, eles sentaram com os companheiros normais de Jéssica,
numa das primeiras mesas da sala. Não na direç ão do vendo, exatamente como Alice
havia prometido.
Alice me acotovelou. Ela irá olhar em breve, aja como um humano.
Eu trinquei meus dentes atrás do meu sorriso forçado .
“Acalme-se, Edward” Emmett disse. “Sério. Então você mata um humano. Isso
dificilmente é o fim do mundo.”
“Você deveria saber” Eu murmurei.
Emmett riu. “Você tem que aprender a superar as coisas. Como eu faço. A
eternidade é um tempo longo demais para se afogar em culpa.”
Nesse instante, Alice jogou um punhado de gelo que ela estava escond endo no rosto de
inocente de Emmett.
Ele piscou surpreso, e então deu um sorriso amarelo de antecipação.
“Você pediu por isso”, ele disse, enquanto se inclinava por sobre a mesa e
balançava seu cabelo cheio de gelo em sua direção. A neve, derretida no cômo do
quente, voou de seu cabelo em uma chuva densa meio -líquida, meio-sólida.
“Eca!” Rose reclamou, enquanto ela e Alice se encolhiam, tentando fugir do
dilúvio.
Alice riu e todos nós a acompanhamos. Eu podia ver na cabeça de Alice como ela
havia orquestrado esse momento perfeito e eu sabia que a garota – eu devia parar de
pensar nela dessa forma, como se ela fosse a única garota no mundo – que Bella estaria
assistindo enquanto nós riamos e brincávamos, parecendo tão felizes e humanos e
surrealmente ideais quanto uma pintura de Norman Rockwell.

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