Eu sorri também, sem querer. Eu não estava tentando fazê -la sentir-se aliviada.
O sorriso dela apenas me fez querer sorrir em resposta – estar por dentro do segredo.
“Já ouvi falar dele?” Eu percorri a lista de jogadores de bola profissionais na
minha cabeça, me perguntando qual dos Phil seria o dela.
“Provavelmente não, ele não joga bem.” Outro sorriso. “E stritamente liga menor.
Ele se muda bastante.”
A lista em minha cabeça mudou instantaneamente, e eu fiz uma lista de
possibilidades em menos de um segundo. Ao mesmo tempo, estava imaginando o novo
cenário.
“E sua mãe te mandou pra cá para que ela pudesse viajar com ele” eu disse.
Fazer suposições parecia tirar mais informações dela do que perguntas tiraram. E isso
funcionou de novo. Seu queixo se empinou, e sua expressão estava repentinamente
obstinada.
“Não, ela não me mandou pra cá,” ela disse, e sua voz tinha um novo, forte
timbre. Minha suposição havia chateado -a, embora eu não pudesse ver como. “Eu me
mandei.”
Eu não podia adivinhar o que isso significava, ou o motivo por trás de seu
ressentimento. Eu estava completamente perdido.
Então desisti. Ela não fazia sentido. Ela não era como outros humanos. Talvez o
silêncio de seus pensamentos e o perfume de seu cheiro não eram as únicas coisas
incomuns sobre ela.
“Eu não entendo,” admiti, odiando fazê -lo.
Ela suspirou, e encarou meus olhos por mais tempo que a maioria dos humanos
normais podia agüentar.
“Ela ficou comigo no início, mas ela sentia falta dele,” ela explicou lentamente,
seu tom crescendo mais desolado com cada palavra. “Isso a fez infeliz... então decidi
que era a hora de passar mais tempo de qu alidade com Charlie.”
O pequeno franzido entre seus olhos se aprofundou.
“Mas agora você está infeliz,” murmurei. Eu não conseguia parar de falar minhas
hipóteses em voz alta, esperando aprender com as reações dela. Essa reação,
entretanto, não pareceu mui to longe da marca.
“E?” ela disse, como se isso nem fosse um aspecto a ser considerado.
Eu continuei a encarar seus olhos, sentindo que eu finalmente tinha pego meu
primeiro vislumbre dentro de sua alma. Eu vi nessa única palavra aonde ela classificava
ela mesma em uma de suas prioridades. Diferente de muitos humanos, suas próprias
necessidades estavam bem no final da lista.
Ela era humilde.
Quando vi isso, o mistério da pessoa escondida dentro dessa mente quieta
começou a dispersar um pouco.
“Isso não parece justo,” eu disse. Dei de ombros, tentando parecer casual,
tentando esconder a intensidade da minha curiosidade.
Ela gargalhou, mas não tinha diversão no som. “Ninguém nunca te disse? A vida
não é justa.”
Eu queria rir das palavras dela, embora eu, também, não tenha sentido nenhuma
diversão. Eu sabia um pouco sobre a injustiça da vida. “Eu acho que já ouvi isso em
algum lugar antes.”
Ela me encarou de volta, parecendo confusa de novo. Seus olhos lampejaram
para longe, e depois voltaram para os meus.
“Então isso é tudo,” ela me disse.
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