quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ou, talvez você a mate. Ele deu de ombros. Você não seria o primeiro a errar.
Ninguém te julgaria tão severamente. Às vezes uma pessoa só cheira muito bem. Estou
impressionado que você tenha agüentado tanto.
“Não está ajudando, Emmett.”
Eu estava revoltado com a aceitação dele da idéia de que eu mataria a garota,
que isso era de alguma forma inevitável. Era culpa dela que ela cheirasse tão bem?
Eu sei quando isso aconteceu comigo... , ele remanesceu, me levando com ele
para meio século atrás, para um caminho na poeira, onde uma mulher de meia -idade
estava tirando seus lençóis secos de uma linha pendurada entre macieiras. O cheiro de
maçãs pendeu pesado no ar – a colheita tinha acabado e as frutas rejeitadas estavam
espalhadas no chão, as batidas em suas peles derramando sua fragrância em nuvens
volumosas. A grama recém-aparada era um fundo para esse cheiro, uma harmonia. Ele
andou pelo caminho, não mais que inconsciente para a mulher, em uma incumbência
para Rosalie. O céu estava roxo em cima da cabeça, laranja em cima das árvores a
oeste. Ele continuaria pela trilha serpenteante e não teria havido razão para lembrar
daquela noite, exceto que uma súbita brisa noturna soprou os lençóis brancos como
velas e abanou o cheiro da mulher para o rosto de Emmett.
“Ah,” grunhi silenciosamente. Como se minha pr ópria memória de sede não fosse
suficiente.
Eu sei. Não durei meio segundo. Eu nem pensei em resistir.
A memória dele se tornou extremamente explicita para mim para agüentar.
Pulei para meus pés, meus dentes cerrados fortes o suficiente para quebrar aço.
“Esta bien, Edward?” Senora Goff perguntou, assustada com meu movimento
súbito. Eu pude ver meu rosto na mente dela, e eu sabia que parecia longe de estar
bem.
“Me perdona,” murmurei, enquanto disparava para a porta.
“Emmett – por favor, puedas tu ayudar a tu hermano?” ela perguntou,
gesticulando desamparadamente em minha direção enquanto eu corria para fora da sala.
“Claro,” o ouvi dizer. E então ele estava bem atrás de mim.
Ele me seguiu até o lado mais distante do prédio, quando me alcançou e colocou
sua mão em meus ombros.
Eu empurrei a mão dele para longe com força desnecessária. Isso teria
estilhaçado os ossos em uma mão humana, e os ossos do braço unidos a ela.
“Desculpe, Edward.”
“Eu sei.” Eu respirei em profundas arfadas de ar, tentando limpar minha cabeça
e meus pulmões.
“Isso é tão ruim quanto aquilo?” ele perguntou, tentando não pensar no cheiro e
no sabor de sua memória enquanto perguntava, e não tendo sucesso.
“Pior, Emmett, pior.”
Ele estava quieto por um momento.
Talvez...
“Não, não seria melhor se eu terminasse com isso. Volte para a sala, Emmett. Eu
quero ficar sozinho.”
Ele se virou sem mais uma palavra ou pensamento e caminho rapidamente para
longe. Ele diria para a professora de Espanhol que eu estava doente, ou cabulando, ou
que era um vampiro perigosamente fora de controle. A desculpa dele realmente
importava? Talvez eu não voltasse. Talvez eu tivesse que partir.
Eu fui pro meu carro de novo, para esperar as aulas terminarem. Para me
esconder. De novo.

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