quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

percebesse? Corar e ir embora? Esse era meu primeiro palpite. Mas talvez ela fosse m e
olhar de volta. Talvez, ela viesse falar comigo.
Eu respirei fundo, enchendo meus pulmões esperançosamente, em todo o caso.
Ela desceu da caminhonete com cuidado, testando o chão escorregadio antes de
colocar seu peso em cima. Ela não olhou para cima e i sso me frustrou. Talvez eu devesse
falar com ela...
Não, isso seria errado.
Ao invés de se virar para escola, ela caminhou até a parte traseira da sua
caminhonete, se apoiando na lateral da carroceria em um divertido caminho, não confiando
nos seus pés. Me fez sorrir, e eu senti os olhos de Alice no meu rosto. Eu não escutei o que
quer que aquilo a fez pensar – eu estava me divertindo muito olhando a garota reparando
nas correntes de neve. Ela realmente parecia em perigo de cair, o modo com os pés dela
estava escorregando. Ninguém mais estava tendo trabalho – teria ela estacionado na pior
parte do gelo?
Ela parou ali, olhando para baixo com uma estranha expressão no rosto.
Era...ternura? Como se algo no pneu a estivesse deixando... emocionada?
De novo, a curiosidade me ardia como uma sede. Era como se eu tivesse que saber o
que ela estava pensando – como se nada mais importasse.
Eu ia falar com ela. Ela parecia como alguém que precisava de uma ajuda de
qualquer modo, pelo menos até que ela saísse do asfalto es corregadio. Claro, eu não
poderia oferecer isso a ela, poderia? Eu hesitei, dividido. Por mais adversa que ela fosse à
neve, ela dificilmente aceitaria bem o toque das minhas mãos geladas. Eu deveria ter
colocado luvas –
“NÃO!” Alice gritou em um sufoco al to.
Instantaneamente, eu examinei os pensamentos dela, achando a princípio que eu
havia feito uma escolha errada e ela havia me visto fazendo algo indesculpável. Mas não
tinha nada a ver comigo.
Tyler Crowley tinha escolhido dar a volta no estacionamento n uma velocidade sem
juízo. Essa escolha ia mandá-lo numa patinação pelo caminho de gelo...
A visão veio apenas meio segundo antes da realidade. A van de Tyler rodopiou pela
esquina enquanto eu estava imóvel vendo a conclusão que havia tirado o terrível sufo co dos
lábios de Alice.
Não, essa visão não tinha nada a ver comigo, e ao mesmo tempo tinha tudo a ver
comigo, porque a van de Tyler – os pneus agora mesmo batendo no gelo no pior ângulo
possível – estavam girando pelo estacionamento e iam bater na garota que tinha se tornado
o ponto de foco não convidado do meu mundo.
Mesmo sem a visão de Alice teria sido simples prever a trajetória do veículo, saindo
do controle de Tyler.
A garota, parada exatamente no lugar errado na traseira da caminhonete, olhou para
cima, enfeitiçada pelo som dos pneus arranhando o chão. Ela olhou direto para os meus
olhos cheios de terror, e se virou para ver a morte se aproximando.
Ela não! As palavras gritaram na minha cabeça como se pertencessem à outra
pessoa.
Ainda preso nos pensamentos de Alice, eu vi a visão repentinamente mudar, mas eu
não tinha tempo de ver qual seria o resultado.
Eu me lancei através do estacionamento, me jogando entre a van patinando e a
garota congelada. Eu me movi tão rápido que tudo foi um risco borrado exceto pelo objeto

Nenhum comentário:

Postar um comentário