disse que eu não desejaria, e não conseguiria ficar longe da menina. Ela tinha visto a
escalada da dor. Mas eu podia lidar com a dor.
Eu não iria destruir o futuro da Bella. Se eu fosse destinado ao amor dela, e então ela não
fosse evitar, esse era o mínimo que eu podia fazer ?
Evitar ela era o máximo que eu podia agüentar; entretanto. Eu podia fingir ignorá -la, e
nunca estar em seu caminho. Eu podia fingir que ela não me interessava. Mas se essa era
medida, eu apenas faria de conta, e não seria real.
Eu ainda flutuava a cada respiração dela, cada palavra que ela dizia.
Eu aglomerava meus tormentos em quatro categorias.
Os dois primeiros eram familiares. O seu aroma e o seu silêncio. Ou, ao invés - assumir a
responsabilidade por mim mesmo ao que ela pertencia - a minha sede era minha
curiosidade.
A sede era o meu primeiro tormento. Eu tornei um hábito, agora, simplesmente não respirar
na aula de Biologia. Mas é claro, sempre há exceções - quando eu tinha de responder a uma
pergunta ou algo do tipo, e eu teria necessidade de falar usando meu fôlego. Cada vez que
eu saboreasse o ar em torno da garota, que era o mesmo desde o primeiro dia - fogo e
violência brutal e a necessidade desesperada de me livrar. Era mesmo um pouco difícil de
agarrar a razão ou retenção nesses momentos. E, c omo no primeiro dia, o monstro estava
prestes a rugir, tão perto da superfície…
A curiosidade era um dos meus constantes tormentos. Uma coisa que nunca saiu da minha
cabeça: O que ela está pensando agora? Ao ouvi-la calmamente suspirar. Quando ela
passava um dos dedos sobre o cabelo. Quando ela jogava o livro com mais força do que o
normal. Quando ela chegava na aula tarde. Quando ela batia seu pé, impaciente, sobre o
chão. Cada movimento que eu pegava na minha visão periférica era um irritante mistério.
Quando ela conversava com os outros alunos humanos, eu analisava todas as palavras e seu
tom. Será que ela dizia o que estava pensando, ou ela pensava no que iria dizer? Se isso
soava para mim como se ela estivesse tentando dizer o que a sua audiência espera va, e isso
me fez lembrar da minha família e de nossa vida diária da ilusão - nos éramos melhores do
que ela estava sendo. Ao menos eu estava errado sobre isso, apenas imaginando coisas. Por
que ela iria ter um papel a desempenhar? Ela era um deles - uma jovem adolescente.
Mike Newton era o mais surpreendente dos meus tormentos. Quem teria sonhado que um
tão comum e entediante mortal poderia ser tão irritante? Para ser justo, eu deveria ter de
sentir gratidão pelo entediante garoto; mais do que os outros, e le fazia a garota falar. Eu
aprendi muito sobre ela através dessas conversas - eu ainda montava a minha lista -, mas
contrariamente, a assistência de Mike com este projeto só me deixava mais irritado.
Eu não queria que Mike fosse o único a descobrir segred os. Eu queria fazer isso.
Ele nunca percebeu as pequenas revelações que ela fazia, seus pequenos discúidos.
Ele não sabia nada sobre ela. Ele criou uma Bella em sua cabeça, que não existia - uma
menina tão comum como ele era. Ele não tinha observado a gene rosidade e bravura que a
distingüia dos outros humanos, ele não conhecia a anormal maturidade das suas falas. Ele
não percebia que, quando ela falava de sua mãe, ele falava de sua mãe como se ela fosse
uma criança e não o contrário - amorosa, indulgente, um pouco divertida, e ferozmente
protetora.
Ele não percebia a paciência em sua voz quando ela fingia interesse no caminho das
conversas, e não adivinhava o que havia atrás de sua paciente bondade.
Embora nas conversas com Mike, eu fosse capaz de adicionar a qualidade mais importante
para a minha lista, e mais reveladora de todas elas, tão simples como rara. Bella era boa.
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