quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Capítulo 07 - Melodia


Eu tive que esperar quando consegui volt ar à escola. O último período ainda não havia
acabado. Isso foi bom, porque eu tinha coisas que precisava pensar sozinho.
O seu aroma ficou no carro. Eu deixei a janela aberta, deixando -o me atacar, tentando me
acostumar com a intensa sensação de queimação na minha garganta.
Atração.
Foi uma coisa problemática de contemplar. Tantos aspectos, tantos significados e níveis.
Não é a mesma coisa que amor, mas muito próximo inexplicavelmente.
Eu não tinha nenhuma idéia se Bella se sentia atraída por mim. (Será qu e o seu silêncio
mental se tornaria mais e mais frustrante até eu ficar louco? Ou teria algum limite ao qual
eu eventualmente chegaria?)
Eu tentei comparar as suas respostas físicas a outras, como as da secretária e Jessica
Stanley, mas as comparações foram inconclusivas. Os mesmos sinais - alterações de
freqüência cardíaca e padrão respiratório - podia facilmente ser medo ou choque ou
ansiedade assim como interesse. Parecia improvável que a Bella tivesse os mesmos tipos de
pensamentos que Jessica Stanley costumava ter. E além do mais, Bella sabia que tinha
alguma coisa de errado comigo, mesmo não sabendo exatamente o que era. Ela tinha tocado
a minha pele gelada, e então tinha puxado a sua mão rapidamente do frio.
E ainda… enquanto eu me lembrava daquelas f antasias que costumavam me causar repulsa,
mas me lembrava delas com Bella no lugar de Jessica…
Eu estava respirando mais rápido, o fogo subindo e descendo pela minha garganta.
E se fosse Bella imaginando meus braços ao redor de seu corpo frágil? Sentindo -me puxá-
la mais perto contra o meu peito e então levando a minha mão ao seu queixo? Passando a
mão por seu cabelo até afastá-lo de sua face corada? Traçando a forma de seus lábios
cheios com a ponta de meus dedos? Inclinando meu rosto para mais perto do de la, onde eu
pudesse sentir a sua respiração na minha boca? Me movendo para mais perto…
Mas então eu retrocedi do sonho, sabendo, como eu bem sabia quando Jessica imaginava
aquelas coisas, o que aconteceria se eu chegasse mais perto dela.
Atração era um dilema impossível, porque eu já estava atraído demais por Bella da pior
maneira.
Eu queria que Bella estivesse atraída por mim, como uma mulher por um homem?
Essa era a pergunta errada. A pergunta certa era se eu DEVIA querer que Bella se sentisse
atraída por mim dessa maneira, e a resposta era não. Porque eu não era um homem humano,
e isso não seria justo para ela.
Com cada fibra do meu ser, eu desejava ser um homem normal, para então poder tê -la em
meus braços sem arriscar a sua vida. Então eu seria livre pa ra realizar minhas próprias
fantasias, fantasias que não acabavam com sangue em minhas mãos, o seu sangue
incandescente em meus olhos.
A minha busca por ela era indesculpável. Que tipo de relacionamento eu poderia oferecer a
ela, quando eu não podia me arr iscar a tocá-la?
Eu encostei minha cabeça entre minhas mãos.
Isso tudo era ainda mais confuso porque eu nunca havia me sentido tão humano em toda a
minha vida - nem se quer quando eu ERA humano, até onde eu podia me lembrar. Quando
eu era humano, meus pensamentos estavam voltados em me tornar um glorioso soldado. A
Grande Guerra havia se intensificado durante a maior parte de minha adolescência,
faltavam apenas nove meses para o meu aniversário de 18 anos quando a gripe espanhol

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