quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“O que?” Ela finalmente perguntou. “Você está falando comigo novamente?” Havia um
pingo de ressentimento em sua voz, como sua raiva aparecendo. Isso me fez sorrir.
Eu não tinha certeza de como responder a pergunta dela.Eu devia falar com ela de novo?
Não. Não se eu pudesse evitar. Eu tentaria.
“Não, na verdade não.” Eu falei para ela.
Ela fechou os olhos, o que me frustrou. Eu me permiti o máximo para tentar acessar os seus
sentimentos. Ela respirou fundo sem abrir os olhos. Seu maxilar estava rígido.
Com olhos fechados, ela falou. Certamente não era o jeito normal de conversar. Porque ela
fazia isso?
“Então o que você quer, Edward?”
O som do meu nome nos lábios dela fez algo estranho ao meu corpo. Se meu coração
batesse, estaria acelerado.
Mas como responder para ela?
Com a verdade, eu decidi. Seria o mais sincero que eu podia ser com ela a partir de agora.
Eu não queria merecer sua desconfiança, mesmo omitir a verdade era impossível.
“Me desculpe.” Eu falei. Era a melhor verdade que ela poderia saber. Infelizme nte o único
jeito seguro de me desculpar era de maneira trivial. “Eu estou sendo muito mal educado, eu
sei. Mas é melhor assim, acredite.”
Seria melhor se eu pudesse continuar sendo mal educado. Será que eu conseguiria?
Os olhos dela abriram, sua expressão ainda cautelosa.
“Não sei o que você quer dizer.”
Eu tentei o máximo que podia por um aviso entrelinhas para ela. “… melhor para nós não
sermos amigos.” Certamente ela podia sentir a verdade. Ela era esperta. “Confie em mim.”
Os olhos dela se estreitaram e eu lembrei que eu havia dito as palavras para ela antes - logo
antes de quebrar a promessa. Eu me encolhi quando ela travou o queixo - ela claramente
lembrava também.
“… uma pena você não ter descoberto isso antes.” Ela disse brava. “Você poderia ter
evitado todo esse arrependimento.”
Eu a encarei em choque. O que ela sabia dos meus arrependimentos?
“Arrependimento? Arrependimento pelo que?” Eu exigi.
“Por não ter deixado aquela van idiota me esmagar!” ela respondeu bruscamente.
Eu congelei, entorpecido.
Como ela podia pensar isso? Salvar sua vida tinha sido a única coisa certa que eu fiz desde
que a conheci. A única coisa de que não me envergonhava. A única coisa que me deixava
feliz em existir. Estive lutando para mantê -la viva desde o primeiro momento em que senti
seu cheiro. Como ela podia estar pensando isso de mim? Como se atrevia questionar meu
único ato de bondade em toda essa bagunça?
- Acha que me arrependo de ter salvado você?
- Eu sei que se arrepende.
A avaliação dela das minhas intenções me de ixou fervendo de raiva. - Você não sabe de
nada.
Como sua mente funcionava de um jeito confuso e incompreensível! Ela não devia pensar
do mesmo modo que os outros humanos. Essa devia ser a explicação por trás de seu
silêncio mental. Ela era completamente d iferente.
Ela virou o rosto, batendo os dentes. Suas bochechas estavam vermelhas, com raiva de
novo. Ela juntou os livros em uma pilha, os colocou nos braços e marchou na direção da
porta sem encontrar meu olhar.

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