quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Se eu matasse a garota primeiro, eu teria apenas quinze ou vinte segundos com
ela antes que os humanos na sala reagissem. Talvez um pouco mais, se eles não
percebessem de primeira o que eu estava fazendo. Ela não teria tempo para grit ar ou
sentir dor; eu não a mataria cruelmente. Era o mínimo que eu podia dar a essa estranha
com o sangue horrivelmente desejável.
Mas depois eu teria que impedi -los de escapar. Eu não teria que me preocupar
com as janelas, muito altas e pequenas para serv ir de escape para alguém. Só a porta –
bloqueio isso e eles estariam presos.
Seria mais devagar e difícil tentar matá -los quando eles estariam em pânico e se
misturando, se movendo no caos. Não era impossível, mas haveria muito mais barulho.
Tempo para muitos gritos. Alguém ouvira... e eu seria forçado a matar ainda mais
inocentes nesse momento obscuro.
E o sangue dela esfriaria, enquanto eu matava os outros.
O cheiro me puniu, fechando minha garganta com a dor secante.
Então as testemunhas primeiro.
Eu mapeei isso na minha mente. Eu estava no meio da sala, a fila mais distante.
Eu pegaria meu lado direito primeiro. Eu poderia morder quatro ou cinco pescoços por
segundo, eu estimei. Eu não faria barulho. O lado direito seria o lado sortudo; eles não
me veriam chegando. Me mover para frente e para trás no lado esquerdo me levaria, no
máximo, 5 segundos para terminar com cada vida desta sala.
Tempo suficiente para Bella Swan ver, brevemente, o que estava chegando até
ela. Tempo suficiente para ela sentir medo . Tempo suficiente talvez, se o choque não
congelasse ela no mesmo lugar, para ela começar um grito. Um grito suave, que não
traria ninguém correndo.
Eu dei um suspiro profundo, e o cheiro era um fogo que corria pelas minhas veias
secas, queimando desde o meu peito até consumir cada impulso de bondade que eu era
capaz de ter.
Ela estava se virando agora. Em alguns segundos, ela se sentaria a centímetros de
mim.
O monstro na minha cabeça sorriu em antecipação.
Alguém fechou uma pasta com força a minha esquer da. Eu não olhei para cima
para ver qual dos humanos condenados era. Mas o movimento mandou uma onda de ar
comum, sem cheiro, passando pelo meu rosto.
Por um curto segundo eu era capaz de pensar claramente. Nesse precioso
segundo, eu vi dois rostos na minha cabeça, lado a lado.
Um era meu, ou ao menos fora: o monstro dos olhos vermelhos que tinha matado
tantas pessoas que eu havia parado de contar. Assassinatos racionais, justificados. Um
assassino de assassinos, um assassino de outros, menos poderosos, mon stros. Era um
complexo de deus, eu sabia disso – decidir quem merecia uma sentença de morte. Era
um compromisso comigo mesmo. Eu me alimentei de sangue humano, mas só pela
definição solta. Minhas vitimas eram, nos seus vários passatempos obscuros,
praticamente tão humanos quanto eu.
O outro rosto era de Carlisle.
Não havia semelhança entre os dois rostos. Eles eram o dia claro e a noite mais
escura.
Não havia razão para eles serem semelhantes. Carlisle não era meu pai no senso
biológico básico. Não dividíamos um traço comum. A semelhança em nossas cores era um
produto do que nós éramos; todo vampiro tinha a mesma pele pálida como gelo. A
similaridade na cor dos nossos olhos era outro ponto – reflexo de uma escolha mutua.

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