“No entanto, eu acho que algo está mudando,” ela disse em voz alta. “A sua vida
parece estar em uma encruzilhada.”
Eu ri sinistramente. “Você percebe que agora está falando como uma cigana
fraudulenta em um carnaval, certo?”
Ela mostrou a sua pequena língua para mim.
“Mas hoje está tudo bem, não está?” eu perguntei, minha voz repentinamente
apreensiva.
“Eu não vejo você matando ning uém hoje,” ela me assegurou.
“Obrigado, Alice.”
“Vá se vestir. Eu não vou dizer nada – vou deixar você contar aos outros quando
estiver pronto.”
Ela se levantou e saiu em disparada descendo as escadas, seus ombros levemente
curvados. Vou sentir saudades. Mesmo.
Sim, eu ia sentir saudades dela, também.
Foi uma ida quieta até a escola. Jasper podia dizer que Alice estava triste com algo,
mas ele sabia que se ela quisesse falar sobre o assunto ela já o teria feito. Emmett e Rosalie
não estavam conscientes de nada, tendo mais um dos seus momentos, contemplando
fixamente os olhos do outro com maravilha – era um tanto desagradável olhar de fora. Nós
éramos todos discretamente conscientes de quão desesperadamente apaixonados eles
estavam. Ou talvez isso era apenas eu sendo amargo, porque eu era o único sozinho. Alguns
dias eram mais difíceis do que outros de viver com três pares de almas gêmeas perfeitas.
Esse era um deles.
Talvez todos eles fossem ser mais felizes sem me ter andando em volta, com
temperamento ruim e beligerante como o velho que eu deveria ser por agora.
Claro, a primeira coisa que eu fiz quando cheguei na escola foi procurar pela garota.
Apenas me preparando de novo.
Certo.
Era constrangedor como meu mundo parecia de repente tão vazio de tudo exceto por
ela - toda a minha existência centrava em torno dessa garota ao invés de centrar em mim
como antes.
Era fácil de entender, apesar de, realmente, depois de oitenta anos da mesma coisa
todo dia e toda noite, cada mudança se tornava um ponto de absorção.
Ela não havia chegado ainda, mas eu conseguia ouvir o estrondoso bufar do motor
da caminhonete dela à distância. Eu me encostei contra o banco do carro para esperar. Alice
ficou comigo, enquanto os outros iam direto para a aula. Eles estavam entediados co m a
minha fixação – era incompreensível para eles como uma humana poderia ter tanto
interesse para mim por tanto tempo, não importando o quão delicioso fosse o cheiro dela.
A garota dirigia vagarosamente pela vista, os olhos dela atentos na estrada e as mã os
dela apertadas contra a direção. Ela parecia ansiosa com algo. Levei um segundo para
descobrir o que era esse algo, para perceber que cada humano estava com essa mesma
expressão hoje. Ah, a estrada estava escorregadia com gelo, e eles estavam todos diri gindo
com mais cuidado. Eu conseguia perceber que ela estava levando esse novo risco muito a
sério.
Isso parecia compreensível com o pouco que eu havia aprendido da personalidade
dela. Eu adicionei isso à pequena lista: ela era uma pessoa séria, uma pessoa responsável.
Ela estacionou não muito longe de mim, mas ela ainda não havia notado que eu
estava parado aqui, olhando para ela. Eu me perguntei o que ela faria quando ela
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