quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quando Tyler me viu, ele começou a falar, mas eu coloquei um dedo sobre os meus
lábios.
“Ela está dormindo?”, eu murmurei.
Os olhos de Bella se abriram rapidamente e focaram no meu rosto. Eles alargaram
por um momento e então se estreitaram em raiva ou suspeita. Eu lembrei q ue eu tinha um
papel para interpretar, então eu sorri para ela como se nada incomum tivesse acontecido
naquela manhã – além de um soco na cabeça dela e um pouco de imaginação correndo
solta.
“Hey, Edward,” Tyler disse. “Eu sinto muito –“
Eu levantei uma mão para parar suas desculpas. “Sem sangue, sem culpa,” eu disse
perversamente. Sem pensar, eu sorri abertamente da minha piada interna.
Era incrivelmente fácil ignorar Tyler, deitado não mais de 1 metro e meio de mim,
coberto em sangue fresco. Eu nunca havia entendido como Carlisle conseguia fazer isso –
ignorar o sangue dos pacientes dele para poder tratá -los. A constante tentação não iria ser
tão distrativa, tão perigosa...? Mas, agora...eu conseguia ver como, se você focasse em outra
coisa forte o suficiente, a tentação não seria nada afinal.
Mesmo fresco e exposto, o sangue de Tyler não tinha nada como o de Bella.
Eu mantive minha distancia dela, me sentando nos pés do colchão de Tyler.
“Então, qual é o veredicto?” eu perguntei a ela.
O lábio inferior dela se retraiu um pouco. “Não há absolutamente nada de errado
comigo, mas eles não me deixam ir embora. Como é que você não está segurado a uma
maca como o resto de nós?”
A impaciência dela me fez sorrir novamente.
Eu podia ouvir Carlisle no corredor agora.
“É tudo uma questão de quem você conhece,” eu disse suavemente. “Mas não se
preocupe, eu vim para libertar você.”
Eu observei a reação dela cuidadosamente quando meu pai entrou no quarto. Os
olhos dela se alargaram e a boca dela abriu em surpresa. Eu gemi internamente. Sim, ela
certamente iria notar a semelhança.
“Então, srta. Swan, como você está se sentindo?” Carlisle perguntou. Ele tinha um
jeito maravilhoso de acalmar que fazia a maior parte dos pacientes à vontade em
momentos. Eu não sabia dizer como afetava Bella.
“Eu estou bem,” ela disse calmamente.
Carlisle colocou os raios-x dela no quadro de luz próximo a cama. “Os seus raios -x
parecem bons. A sua cabeça dói? Edward disse que você bate u com força.”
Ela suspirou, e disse “Eu estou bem,” de novo, mas dessa vez a impaciência
transparente na voz. Então, ela olhou furiosamente na minha direção.
Carlisle se aproximou dela e correu os dedos gentilmente pelo couro cabeludo dela
até que achou uma saliência sob o seu cabelo.
Eu fui pego desprevenido pela onda de emoções que me atingiram.
Eu tinha visto Carlisle trabalhar com humanos milhares de vezes. Anos atrás, eu até
o havia ajudado informalmente – mas apenas em situações que sangue não estava
envolvido. Então não era uma coisa nova para mim, vê -lo interagir com a garota como se
ele fosse tão humano quanto ela. Eu tinha invejado o controle dele muitas vezes, mas não
era a mesma coisa que essa emoção. Doía a diferença entre Carlisle e eu – que ele podia
tocar ela tão gentilmente, sem medo, sabendo que nunca iria machucá -la.

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