Esta era uma pergunta fácil demais - para ela. A pergunta não me indicaria nada, enquanto
minha resposta, se verdadeira, indicaria muito, muito mesmo. Deixe que ela revele algo
primeiro.
“Próxima,” eu disse.
“Mas esta foi a mais fácil!”
“Próxima,” eu repeti.
Ela estava frustrada pela minha rejeição. Ela tirou seus olhos de mim e olhou para baixo,
para a sua comida.
Vagarosamente, pensativa, ela deu uma mordida e mastigou com vontade. Fez tudo descer
com mais coca e então finalmente olhou para mim. Seus olhos estavam estreitos, cheios de
suspeita.
“Certo, então,” ela disse. “Vamos dizer que, hipotéticamente, é claro, que… alguém…
pudesse saber o que as pessoas estão pensando, ler mentes, você entendeu - com apenas
algumas poucas exceções.”
Poderia ser pior.
Isto explicava aquele sorrisinho no carro. Ela era rápida - ninguém mais jamais havia
adivinhado este meu poder. Exceto por Carslile, quando isto era bem mais óbvio, no
começo, quando eu respondia a todos os seus pensamentos como se ele tivesse falando
comigo. Ele havia entendido o meu poder antes de mim…
Esta pergunta não era tão ruim. Apesar de estar claro que ela sabia haver algo de errado
comigo, não era tão ruim quanto poderia ser. Leitura de mentes não era, afinal, uma faceta
do cânone vampírico. Eu continuei com a sua hipótese.
“Apenas uma exceção,” eu a corrigi. “Hipoteticamente”
Ela se esforçou para não sorrir - minha vaga honestidade a havia agradado. “Tudo bem,
com uma única exceção, então. Como isso funciona? Quais as limitações? Como seria… se
alguém… encontrasse outra pessoa exatamente numa h ora de grande necessidade? Como
ele poderia saber que ela estaria com problemas?”
“Hipoteticamente?”
“Claro.” Seus lábios se retorceram, e seus olhos castanhos estavam ansiosos.
“Bem,” eu hesitei. “Se… esse alguém…”
“Vamos chamá-lo de Joe,” ela sugeriu.
Eu tive que sorrir diante do entusiasmo dela. Ela achava mesmo que a verdade seria uma
coisa boa? Se meus segredos fossem coisas agradáveis, por que eu a manteria afastada
deles?
“Joe, então,” eu concordei. “Se Joe estivesse prestando atenção, o tempo não t eria que ser
tão exato.” Eu balancei minha cabeça e reprimi um calafrio quando me lembrei o quão
perto eu estive de chegar muito tarde hoje. “Você é a única pessoa que pode se encrencar
em uma cidade tão pequena. Você deve ter devastado a estatística de cr imes deles, por
décadas, você sabe.”
Seus lábios murcharam um pouco e então ela disse: “Nós estamos falando de um caso
hipotético.”
Eu ri diante da irritação dela.
Seus lábios, sua pele… eles pareciam tão suaves… Eu queria tocá -los. Eu queria empurrar
sua sobrancelha franzida para cima com a ponta dos meus dedos. Impossível. Minha pele
seria um repelente para o seu calor.
“Sim, nós estávamos…” Eu disse, retornando ao nosso assunto antes de eu ter entrado em
depressão. “Devemos chamar você de Jane?”
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