Eu evitei olhar para mim mesmo na luz do sol. Era ruim o suficiente que a minha pele era
uma pedra e desumana na sombra; não queria olhar para Bella e eu lado a lado na luz do
sol. A diferença entre nós já era insuperável, dolorosa o suficiente sem mais essa imagem
na minha cabeça.
Mas não conseguia ignorar as faíscas de arco -íris que eram refletidas para a pele de la
quando eu ficava perto. Meu queixo se fechou com a visão. Eu conseguiria ser mais
aberração do que já era? Imaginei o terror dela se abrisse os olhos agora…
Eu comecei a recuar, mas ela resmungou de novo, me segurando ali.
- Mmm… mmm.
Nada inteligível. Bem, eu iria esperar um pouco.
Cuidadosamente peguei seu livro, esticando meu braço e prendendo a respiração enquanto
estava perto, por precaução. Comecei a respirar novamente quando estava a poucos metros
de distância, testando como o sol e a janela abert a afetavam seu cheiro. O calor parecia
adocicar a fragrância. Minha garganta queimou de desejo, o fogo pertinente e feroz outra
vez, porque tinha ficado longe dela por muito tempo.
Passei um momento controlando isso, e então - me forçando a respirar pelo nariz - deixei
que seu livro se abrisse em minhas mãos. Ela tinha começado pelo primeiro… Eu virei as
páginas rapidamente até o terceiro capítulo de Razão e Sensibilidade, procurando por algo
potencialmente ofensivo na história excessivamente delicada de Au sten.
Quando meus olhos pararam automaticamente no meu nome - a personagem Edward
Ferrars sendo apresentado pela primeira vez - Bella falou de novo.
- Mmm. Edward. - ela suspirou.
Desta vez não tive medo que ela tivesse acordado. A voz dela era baixa, só u m murmúrio
melancólico. Não os gritos de medo que teriam sido se ela me visse agora.
Alegria entrou em conflito com auto -desprezo. Pelo menos ela ainda estava sonhando
comigo.
- Edmund. Ahh. Muito… parecido…
Edmund?
Ah! Ela não estava sonhando comigo, perc ebi com raiva. O auto-desprezo voltou com
força. Ela estava sonhando com personagens fictícios. Lá se foi meu convencimento.
Guardei o livro, e fui para o abrigo das sombras - onde pertencia.
A tarde passou enquanto eu observava, me sentindo inútil de novo , enquanto o sol
lentamente ia descendo no céu e as sombras se espalharam pelo jardim até ela. Eu queria
empurrá-las para longe, mas a escuridão era inevitável; as sombras a tomaram. Quando a
luz tinha ido embora, a pele dela era muito pálida - quase fantasmagórica. O cabelo dela
estava escuro de novo, quase preto contra seu rosto.
Era uma coisa assustadora de se ver - como testemunhar as visões de Alice virarem
realidade. O batimento forte e constante de Bella era a única garantia, o som que manteve
esse momento longe de parecer um pesadelo.
Fiquei aliviado quando o pai dela voltou para casa.
Eu podia ouvir pouco da mente dele quando dirigia na direção da casa. Alguma vaga
irritação… no passado, alguma coisa do trabalho. Expectativa misturada com fome -
presumi que estivesse ansioso para o jantar. Mas seus pensamentos eram tão silenciosos e
contidos que não pude ter certeza se estava certo; só peguei a essência deles.
Me perguntei como a mãe dela soava - que combinação genética a tinha feito tão única.
Bella começou a acordar, se contorcendo para sentar -se quando os pneus do carro de seu
pai cantaram contra o asfalto da estrada. Ela começou a olhar ao seu redor, parecendo
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