quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Era exatamente a coisa certa a dizer. O nome dela era a única distração que signi ficava algo
para mim agora.
Eu o deixei no carro e voltei correndo para Forks, em uma linha reta através da floresta
adormecida. Levou menos tempo do que a primeira viagem de carro. Apenas poucos
minutos depois eu escalei a parede da casa dela e deslizei a janela para fora do meu
caminho.
Eu suspirei silenciosamente em alívio. Tudo estava como deveria. Bella estava a salvo em
sua cama, sonhando, seus cabelos úmidos emaranhados como algas pelo travesseiro.
Mas, diferente de outras noites, ela estava encolhid a com os cobertores enrolados acima dos
seus ombros. Frio, eu imaginei. Antes que eu pudesse me acomodar em meu acento usual,
ela teve calafrios em seu sono e seus lábios estremeceram.
Eu hesitei por um breve momento e então me movi para o corredor, explor ando uma nova
parte da casa pela primeira vez.
O ronco de Charlie era alto e peculiar. Eu praticamente podia pegar a margem do seu
sonho. Algo com água corrente e uma espera paciente… pescaria, talvez?
Lá, no alto da escadaria, havia um armário promissor. Eu a abri e encontrei o que
procurava. Escolhi o cobertor mais grosso dentre as finas peças de linho e o levei para o
quarto dela. Eu o guardaria de volta antes que ela acordasse, assim ninguém se daria conta.
Segurando minha respiração, eu cuidadosamente abri o cobertor sobre ela; sem que ela
reagisse ao peso adicional. Voltei então para a minha cadeira.
Enquanto eu esperava ansiosamente para que ela se aquecesse, eu pensei em Carlisle,
imaginando onde ele estaria agora. Eu sabia que seu plano daria certo - Alice havia previsto
isso.
Pensar no meu pai me fez suspirar - Carlisle me deu muito crédito. Eu gostaria de ser a
pessoa que ele imaginava que eu fosse. Aquela pessoa, merecedora de felicidade, poderia
esperar ser merecedor desta garota adormecida. Como as coisas seriam diferentes se eu
fosse aquele Edward.
Enquanto eu ponderava isto, uma imagem estranha e indesejada preencheu minha mente.
Por um momento, a velha vidente que eu havia imaginado, a mesma que previu a
destruição de Bella, foi trocada pelo mais tolo e desajeitado dos anjos. Um anjo da guarda -
algo que a minha versão imaginada por Carlisle poderia ter. Com um sorriso despreocupado
nos seus lábios, seus olhos da cor do céu cheios de provocação, o anjo formava Bella de tal
modo que seria impossível que eu não a notasse. Um odor incrivelmente potente que exigia
minha atenção, uma mente silenciosa para inflamar minha curiosidade, uma beleza calma
para prender meus olhos, uma alma altruísta para ganhar meu respeito. Deixado de lado o
sentido natural de auto-preservação - assim Bella podia suportar o fato de estar próxima a
mim - e finalmente adicionada um uma larga dose de má sorte.
Com uma gargalhada inconseqüente, o anjo irresponsável empurrou sua frágil criação
diretamente para o meu caminho, con fiando descuidadamente na minha moralidade
maculada para manter Bella viva.
Nesta visão, eu não era a condenação de Bella; ela era minha recompensa.
Eu balancei minha cabeça com a fantasia do anjo inimaginável. Ela não era muito melhor
do que a harpia. Eu não poderia conceber um poder maior que agisse de maneira tão
perigosa e estúpida. Pelo menos, contra a vidente horrorosa eu poderia lutar.
E eu não tinha nenhum anjo. Eles eram reservados para os bons - para pessoas como Bella.
Então onde estaria o anjo dela no meio disso tudo? Quem estava tomando conta dela?

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