quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O provérbio humano dizia que tudo parece diferente pela manhã - que as coisas mudam
quando você as deixa passar. Eu pareceria diferente para Bella na luz fraca de um dia
nublado? Mais ou menos sinistro do que pareceri a no escuro da noite? Teria a verdade se
revelado enquanto ela dormia? Será que finalmente ela teria medo?
Seus sonhos haviam sido pacíficos, enfim, na última noite. Quando ela falou meu nome,
uma vez e outra, ela sorriu. Mais de uma vez ela murmurou apela ndo para que eu ficasse.
Aquilo não significaria nada no dia de hoje?
Eu aguardei impacientemente, ouvindo os sons vindos de dentro da casa - os passos rápidos
e tropeçantes nas escadas, o rasgar seco de papel alumínio, os frascos do refrigerador
batendo uns contra os outros quando a porta se fechou. Parecia que ela estava com pressa.
Anciosa para ir a escola? A idéia me fez sorrir, esperançoso novamente.
Olhei para o relógio. Eu supunha que - levando em conta a velocidade a sua velha pickup a
limitava, ela estava um tanto atrasada.
Bella saiu correndo da casa, sua mochila escorregando dos seus ombros, seu cabelo preso
em uma trança mal feita que já se dividia perto de sua nuca. O grosso suéter verde que ela
usava não era o suficiente para evitar que seus pe quenos ombros tremessem com a névoa
fria.
O longo suéter era grande demais para ela, desproporcional. Ele mascarava sua silhueta
delgada, tornando todas as suas curvas delicadas e suaves em uma confusão disforme. Eu
gostei, mesmo desejando que ela usasse a lgo mais parecido com a delicada blusa azul que
vestira na última noite… o tecido havia aderido a sua pele de um jeito muito convidativo,
decotado o suficiente para revelar a maneira hipnótica como sua clavícola se afastava do
vazio abaixo de seu pescoço. O azul fluia como agua através do contorno delicado de seu
corpo.
Era melhor - essencial - que eu mantivesse meus pensamentos muito, muito longe daquelas
formas, então eu deveria estar agradecido por ela usar aquele suéter pouco atraente. Eu não
poderia me permitir qualquer erro, e seria um erro monumental me deixar levar pela
estranha fome que os pensamentos sobre seus lábios… sua pele… estavam criavam dentro
de mim. Fome que eu havia erradicado de mim por uma centena de anos. Eu não poderia
sequer pensar em tocá-la, porque isso seria impossível.
Eu a destruiria.
Bella voltou-se para longe da porta com tanta pressa que ela quase passou pelo meu carro
sem notá-lo.
Então ela parou quase derrapando, seus joelhos travando em um solavanco. Sua mochila
escorregou pelo seu braço e seus olhos se arregalaram quando focalizaram o carro.
Eu saí, sem me preocupar em me mover numa velocidade humana, e abri a porta do
passageiro para ela. Eu não tentaria mais ludibriá -la. Quando estivessemos a sós, pelo
menos, eu seria eu mesmo.
Ela olhou para mim, supresa novamente, por eu praticamente ter me materializado no meio
da névoa.
E então a surpresa em seus olhos se tornaram em outra coisa, e eu não estava mais temeroso
- nem esperançoso - que seus sentimentos por mim tivessem mudado durante o curso da
noite. Calor, preocupação, fascinação, tudo nadando no que era o chocolate derretido dos
seus olhos.
“Quer ir de carona comigo hoje?” Eu perguntei. Ao contrário do jantar na última noite, eu a
deixaria escolher. De agora em diante , seria sempre a escolha dela.
“Sim, obrigada,” ela murmurou, subindo no carro sem hesitar.

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