Saímos de lá, eu caminhando o mais perto quanto me era possível. Perto o suficiente para
que o calor do corpo dela fosse como um toque físico contra o lado esquerdo do meu corpo.
Enquanto eu segurava a porta para ela, ela suspirou de leve, e me perguntei o que a teria
deixado triste. Encarei seu olhar, prestes a perguntar, quando ela de repente encarou o chão,
parecendo envergonhada. Isso me deixou ainda mais curioso, ainda que relutante em
perguntar. O silêncio entre nós continuou enquanto eu abria a porta do c arro para ela e
entrava no carro.
Liguei o aquecedor - o tempo mais quente havia de repente terminado; o frio do carro
deveria ser desconfortável para ela. Ela se encolheu em minha jaqueta, um pequeno sorriso
em seus lábios.
Esperei, adiando a conversa até que as luzes do painel apagassem. Isso me fez sentir ainda
mais sozinho com ela.
Seria aquilo a coisa certa a se fazer? Agora que eu estava concentrado apenas nela, o carro
parecia menor. Seu aroma dançava dentro com a corrente de ar do aquecedor, se
intensificando e aumentando. Cresceu em sua força, como se fosse uma entidade própria
dentro do carro. Uma presença que demandava ser notada.
E havia sido; eu queimei. A sensação era aceitável, no entanto. Parecia estranhamente
apropriada para mim. Me havia si do dado tanto aquela noite - mais do que eu esperava. E
aqui estava ela, ainda a meu lado por vontade própria. Eu devia algo em retorno. Um
sacrifício, uma oferta em forma de queimação.
Agora, se eu pudesse manter as coisas daquele jeito; apenas queimação, e mais nada. Mas o
veneno encheu minha boca, e meus músculos ficaram tensos em antecipação, como se eu
estivesse caçando…
Eu precisava manter tais pensamentos longe de minha mente. E eu sabia o que me
distrairia.
“Agora,” eu disse à ela, temendo sua resposta e me distraindo da sensação de queimado. “É
sua vez.”
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