“Foi muito… difícil - você não imagina o quão difícil - para mim apenas te tirar de lá e
deixá-los… vivos” eu suspirei. “Eu poderia ter deixado você ir com Jessica e Angela, mas
estava com medo de que se você me deixasse sozinho, eu iria atrás deles.”
Pela segunda vez esta noite, eu confessei a intenção de assassinato. Pelo menos esse era
passível de defesa.
Ela estava quieta enquanto eu tentava me controlar. Escutei as batidas de seu coração. O
ritmo era irregular, mas se acalmou conforme o tempo ia p assando e agora estava estável
novamente. Sua respiração também estava devagar e estável.
Eu estava muito próximo do limite. Eu precisava levá -la para casa antes…
Eu o mataria, então? Eu me tornaria um monstro novamente quando ela confiava em mim?
Haveria alguma forma de me deter?
Ela havia prometido me contar sua mais nova teoria quando estivéssemos sozinhos. Eu
queria ouvir? Estava ansioso por isso, mas será que a recompensa por minha curiosidade
seria pior do que não saber?
De qualquer modo, ela já teria verdades o suficiente por aquela noite.
Olhei para ela novamente, e seu rosto estava mais pálido do que antes, mas composto.
“Está pronta para ir para casa?” perguntei.
“Estou pronta para ir,” ela disse, escolhendo as palavras com cuidado, como se um simp les
‘sim’ não expressasse exatamente o que ela queria dizer.
Frustrante.
A garçonete retornou. Ela havia escutado a última frase de Bella enquanto caminhava para
o outro lado da mesa, pensando no que mais ela poderia oferecer. Eu queria fingir que não
estava ouvindo algumas das ofertas que ela tinha em mente.
“Como estamos?” ela me perguntou.
“Estamos prontos para pedir a conta, obrigado,” eu disse, meus olhos em Bella.
A respiração da garçonete deu um pico e ela estava momentaneamente - usando a frase de
Bella - deslumbrada com a minha voz.
Num breve momento de percepção, escutando como minha voz soava na mente dessa
humana inconseqüente, eu percebi por que eu parecia atrair tanta atenção naquela noite - ao
contrário do medo de sempre.
Era por causa de Bella. Tentando tanto ser seguro para ela, para ser menos assustador, para
seu humano, eu havia perdido meus limites. Os outros humanos viam beleza agora, com
meu horror inato tão cuidadosamente sob controle.
Olhei para a garçonete, esperando que ela se recupe rasse. Era um pouco engraçado, agora
que eu sabia o motivo.
“Claro,” ela gaguejou. “Aqui está.”
Ela me estendeu a pasta com a conta, pensando no cartão que ela havia deixado embaixo do
recibo. Um cartão com seu nome e telefone.
Sim, era realmente engraçado.
Eu já tinha o dinheiro pronto. Devolvi imediatamente a pasta, para que ela não perdesse
tempo esperando um telefonema que nunca aconteceria.
“Sem troco,” eu disse, esperando que o tamanho da gorjeta compensasse seu
desapontamento.
Levantei-me e Bella logo me seguiu. Eu queria lhe oferecer minha mão, mas pensei que
talvez estivesse desafiando minha sorte um pouco demais por uma noite. Agradeci a
garçonete, meus olhos nunca deixando o rosto de Bella. Bella parecia estar achando algo
engraçado, também.
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