Um milhão de pensamentos passou ferozmente um atrás do outro pela minha cabeça
enquanto eu dirigia sem rumo pela noite.
Por um bom tempo eu circulei pelas ruas, indo para lugar algum, pensando em Bella e na
libertação de ter a verdade descoberta. Não mais eu teria que ter medo de ela descobrir o
que eu era. Ela sabia. E não importava pa ra ela. Mesmo que fosse obviamente uma coisa
ruim para ela, era impressionantemente libertador para mim.
Mais que isso, eu pensava em Bella e no amor compensatório. Ela não podia me amar da
forma como eu a amava - de um jeito tão poderoso, extremamente int enso, consumir esse
amor iria provavelmente quebrar o seu corpo frágil. Mas ela se sentia forte o suficiente. O
suficiente para subjugar o medo instintivo. O suficiente para querer estar perto de mim. E
estar com ela era a maior felicidade que eu podia con hecer.
Por um tempo - eu estive totalmente sozinho e não machucando ninguém de qualquer
forma - eu me permiti sentir aquela felicidade sem resultar em tragédia. Somente sendo
feliz por ela se importar comigo. Somente me regozijando por ter ganhado a sua af eição.
Somente imaginando dia após dia sentado ao seu lado, ouvindo sua voz e recebendo seus
sorrisos.
Eu re-vi aquele sorriso em minha cabeça, observando seus lábios cheios se erguerem nos
cantos, um sinal de uma covinha que se mostrava na ponta de seu qu eixo, o modo como
seus olhos se aqueciam e derretiam… Seus dedos tinham um toque tão quente e delicado
em minha mão essa noite. Eu imaginava em como devia ser tocar a sua delicada pele que se
esticava por cima de suas bochechas - sedoso, quente… tão frágil . Seda por cima de
vidro… espantosamente quebrável.
Eu não podia ver para onde os pensamentos estavam indo até que fosse muito tarde.
Enquanto eu discorria sobre aquela vulnerabilidade devastadora, novas imagens de seu
rosto se introduziram em minhas fanta sias.
Perdida nas sombras, pálida de medo - ainda assim sua mandíbula firme e determinada,
seus olhos ferozes, cheios de concentração, o seu corpo delgado fixado em bater nas formas
pesadas que se reuniram em volta dela, pesadelos na escuridão…
“Ah,” eu rosnei enquanto a raiva crescente que eu havia esquecido na alegria de amá -la
queimava novamente como um inferno de ódio.
Eu estava sozinho. Bella estava, eu acreditava, salva em sua casa; por um momento eu
estava ferozmente feliz que Charlie Swan - o braço forte da lei local, treinado e armado -
fosse seu pai. Isso devia significar alguma coisa, como providenciar alguma proteção a ela.
Ela estava segura. Não me levaria muito tempo para eu me vingar daquele ultraje…
Não. Ela merecia coisa melhor. Eu não podia me permitir que ela se importasse com um
assassino.
Mas… e quanto às outras?
Bella estava segura, sim. Angela e Jessica também com certeza, seguras em suas camas.
Ainda assim tinha um monstro solto pelas ruas de Port Angeles. Um monstro humano - isto
faria dele um problema dos humanos? Cometer o crime pelo qual ansiava era errado.
Eu sabia disso. Mas deixá-lo livre para atacar de novo também não podia ser a coisa certa.
A maitre loira do restaurante. A garçonete que eu não tinha prestado atenção. As duas m e
irritaram de jeitos insignificantes, mas isso não significava que mereciam ficar em perigo.
Uma das duas podia ser a Bella de alguém.
Essa realização me decidiu.
Virei o carro para o norte, acelerando agora que tinha um propósito. Sempre que eu tinha
um problema além de mim - algo tangível como isso - sabia onde podia procurar ajuda.
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