quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ela pensou sobre aquilo por meio segundo e comeu um pouco com uma velocidade que
parecia destoar de sua calma. Ela estava mais ansiosa pela minha resposta do que seus
olhos demonstravam.
“É mais difícil do que deveria ser - manter você à vista,” eu lhe disse. “Geralmente eu
posso encontrar alguém facilmente, uma vez que já tenha ouvido suas mentes antes.”
Observei seu rosto com cuidado quando disse isso. Adivinhar era uma coisa, obter a
confirmação era outra.
Ela estava sem ação, seus olhos arregalados. Senti meus dentes rangerem enqua nto
esperava que ela entrasse em pânico.
Mas ela apenas piscou uma vez, engoliu fazendo barulho, e rapidamente mordeu mais um
pedaço. Ela queria que eu continuasse.
“Eu estava me concentrando em Jessica,” continuei, observando cada palavra que saía.
“Não cuidadosamente - como eu disse, só você poderia encontrar problemas em Port
Angeles -” não resisti ao comentário. Será que ela sabia que outras vidas humanas não eram
tão marcadas por experiências de quase morte, ou ela achava que era normal? Ela era a
coisa mais fora do normal que eu já havia encontrado. “Primeiramente, não notei quando
você saiu sozinha. Então, quando percebi que você não estava mais com ela, saí procurando
você na livraria que vi na mente dela. Eu sabia que você não havia entrado, e que h avia ido
para o sul… e eu sabia que você teria que voltar logo. Então eu estava apenas esperando
por você, procurando aleatoriamente pelos pensamentos das pessoas nas ruas - para ver se
alguém havia notado você para que eu soubesse onde você estava. Eu não tinha motivos
para me preocupar… mas eu estava estranhamente ansioso…” Minha respiração ficou mais
rápida quando me lembrei da sensação de pânico. O cheiro dela alcançou minha garganta e
eu estava contente. Era uma dor que significava que ela estava viva. Enquanto eu
queimasse, ela estava a salvo.
“Comecei a dirigir em círculos, ainda… ouvindo.” Eu esperava que a palavra fizesse
sentido para ela. Isso provavelmente era confuso. “O sol estava finalmente se pondo, e eu
estava prestes a sair e te procurar a p é. E então –”
Enquanto a memória me voltava - perfeitamente clara e tão vívida como se eu estivesse
naquele momento novamente - senti a mesma fúria assassina correndo por meu corpo, presa
em gelo.
Eu o queria morto. Eu precisava dele morto. Meu maxilar end ureceu enquanto me
concentrava em me segurar na mesa. Bella ainda precisava de mim. Era isso que importava.
“Então o que?” ela murmurou, seus olhos escuros arregalados.
“Eu ouvi o que eles estavam pensando,” disse entre -dentes, incapaz de fazer as palavras
saírem sem parecer um rosnado. “Eu vi seu rosto na mente dele.”
Eu mal podia resistir à vontade de matar. Eu ainda sabia precisamente onde encontrá -lo.
Seus pensamentos ruins passeavam pela noite, como se me chamassem…
Cobri meu rosto, sabendo que minha e xpressão era a de um monstro, um caçador, um
assassino. Fixei a imagem dela por trás de meus olhos para me controlar, concentrando -me
apenas em seu rosto. A delicada moldura óssea, a fina camada de sua pele pálida - como
seda esticada em vidro, incrivelmen te macia, fina e fácil de estilhaçar. Ela era vulnerável
demais para esse mundo. Ela precisava de um protetor. E, como um desvio do destino, eu
era a coisa mais próxima que estava disponível.
Tentei explicar minha reação violenta para que ela pudesse enten der.

Nenhum comentário:

Postar um comentário